Um texto frio e calculista

Carlos estava lendo confortavelmente sentado na classe turística de um avião lotado, quando a aeromoça suavemente anunciou:

- Atenção, senhores passageiros. O comandante solicitou informá-los de que a turbina esquerda da aeronave acabou de emperrar. Tenho a impressão de que já estamos caindo. Leiam detalhadamente as instruções que estão na página 13 do 'manual do sobrevivente', que pode ser encontrado no bolso lateral do banco do passageiro. Com muita calma, sigam os procedimentos de emergência passo a passo. Após, coloquem o pára-quedas que estão guardados embaixo dos assentos e encaminhem-se à porta de emergência para, então, pularem. Neste momento, estamos a uma altitude de mil e quinhentos pés. Queremos também comunicar que a temperatura externa é de zero grau, em conseqüência de uma frente fria vinda da Argentina. Como último aviso, solicitamos que não se aglomerem nas portas de emergência, evitando tumultos. Tenham um bom regresso! Ah, estamos caindo em alto-mar. Maria Martha, sua comissária de bordo.

Carlos terminou de beber seu guaraná, guardou seu livro na bolsa e colocou o pára-quedas. Aproximou-se da porta de emergência e saiu do avião.

O que há de errado e o que se pode falar sobre a verossimilhança deste texto? O que podemos acrescentar ou omitir para torná-lo mais convincente?