6.
Posfácio (Continuação)
Através
dos e-mails, o usuário deixa de ser virtual para se tornar real: passa
a ter um nome, uma identidade e, às vezes, uma história. De uma forma
muito especial, e-mails materializam a relação entre usuários e webmasters,
tornando um pouco mais concretas e pessoais as incursões no ciberespaço.
Apesar do imenso trabalho paralelo envolvido em responder a essas mensagens
eletrônicas, é grande o prazer de estabelecer um contato mais próximo
com professores de diferentes cidades, escolas e realidades de ensino.
Há
e-mails de diferentes tipos. Alguns deles têm por objetivo simplesmente
incentivar o trabalho realizado no site, fazendo comentários elogiosos.
Receber mensagens como estas é extremamente gratificante:
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Quero apenas
parabenizá-las pela iniciativa, pelo excelente trabalho e pela
enorme contribuição que vocês dão aos nossos trabalhos de professores.
Muito obrigada, R.
Tenho uma escola
em Franca/SP e parabenizo a beleza e a riqueza de conteúdos que
este site possui. Forte contribuição aos professores de todo Brasil.
Prof. R.
Congratulations
and thanks a lot!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eu precisava de um site
assim. V.
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Muito
mais freqüentes, entretanto, são as mensagens que iniciam com um elogio,
mas que foram enviadas, de fato, em função de um pedido. Note, no segundo
exemplo desse bloco, a saudação incomum para uma pessoa que sequer me
conhecia. O meio virtual realmente tem esse poder de aproximar as pessoas...
instantaneamente!
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Não conhecia
este site, gostaria de parabenizar você pelo conteúdo e pela disponibilidade
em estar ajudando e servindo a todos. Meu nome é Lisiane, sou
professora de inglês do terceiro periodo ao terceiro ano do ensino
médio. Trabalho em uma escola que é conveniada à Rede Pitágoras
e também na rede pública. Como moro em uma cidade pequena, as
disponibilidades de material são bastante reduzidas. Se fosse
possível gostaria de dicas sobre projetos interdisciplinares,
pois todo ano realizo uma feira onde exponho este tipo de trabalho
realizado pelos alunos de quinta ao segundo grau. Agradeço muito
qualquer ajuda.
Olá querida
amiga! Estive visitando hoje seu site que uma amiga teve o prazer
de apresentar-me. Achei muito interessante e resolvi escrever,
pois talvez possa me ajudar. Estou no último período do curso
de Letras e estou aflita em preparar uma aula sobre horas em inglês.
Não tenho experiência em sala, então gostaria se possível me fornecer
alguma dinâmica, curiosidade e até mesmo os aspectos lingüísticos
sobre esse assunto. Desde já agradeço e parabenizo-a pelo site.
Estarei aguardando resposta. Um abraço, L.
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Por
vezes, a solicitação vem direto, sem maiores introduções. É interessante
notar que, apesar de o site ser voltado prioritariamente a profissionais
do ensino de idiomas, os pedidos podem ser os mais diversos, e nem sempre
vindos de professores:
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Ouvi dizer que
a língua alemã vem do latim. Quem me disse baseou-se no fato das
duas línguas terem palavras declináveis. Tal ilação não me parece
razoável. Assim, tomo a liberdade de pedir-lhe que me informe
a origem da língua alemã antiga, imaginando que o idioma alemão
moderno origina-se do antigo. Atenciosamente, L.
Olá, Vivian
Magalhães. Estou pensando em abrir uma escola de inglês. Que livros
você recomendaria ? (Já estou em contato com Disal, SBS, Cultura
e Saraiva) Grata M.C.
Oi ,tudo bem?
Meu Nome é Camila estou realizando uma monografia no qual o tema
é gramática na Escola X gramática no Vestibular. Estou encontrando
algumas dificuldades para trabalhar com esse tema e gostaria muito
que Vc pudesse me ajudar . Espero ansiosamente pela sua resposta,
agradeço a sua atenção.
Preciso fazer
um projeto para o curso de inglês onde freqüento mencionando uma
receita de bolo. Se puder me ajudar retorne este e-mail. G. São
Gonçalo-RJ 12 anos
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Freqüentemente,
responder a uma única pergunta pode levar mais de uma hora. As perguntas
mais difíceis e demoradas de responder são aquelas que envolvem a experiência
de ensino mais do que o conhecimento lingüístico. Entretanto, ajudar
esses professores, muitos dos quais em início de carreira, significa
ter a oportunidade de aprender também, ou, pelo menos, de refletir sobre
a situação apresentada por eles.
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Prezada Vivian,
Sou professora de inglês de 5 a 8 séries do ensino fundamental
do município do Rio de Janeiro. Sou novata nesta profissão, sendo
esta a minha segunda semana de trabalho na escola. O site caiu
do céu, justamente quando eu estava refletindo sobre como tornar
as minhas aulas mais atrativas para os alunos. No momento encontro
dificuldades de conseguir que os alunos sejam disciplinados. Logo
quando eu entro em sala, parece que nem percebem a minha presença,
pois continuam travando conversas e brincadeiras entre si. O pior
mesmo é durante a aula propriamente dita quando tento em vão que
todos permaneçam em silêncio e se mantenham atentos à explicação.
Invarialmente volto para casa quase sem voz, com o corpo dolorido
pela tensão e com muita dor de cabeça e, o que é pior, sinto-me
frustrada por não conseguir cumprir o plano de curso. Será que
eu poderei encontrar respostas para este problema? Meus sinceros
agradecimentos.
Tenho 23 anos
e sou advogado. Além disso sou professor de espanhol há 5 anos.
Apesar de não ser formado em letras, morei em Asunción - Py onde
aprendi e me apaixonei pelo idioma. Agora tento mestrado na área
de educação e meu projeto é na área do ensino e aprendizado da
língua espanhola no Brasil. Com a experiência de vocês gostaria
que opinassem ou sugerissem algo a respeito da minha proposta
de estudo para o mestrado. A proposta pretende abranger todos
os níveis de ensino, ou seja, ensino fundamental, médio, superior
(graduação e pós graduação), e em cada um destes níveis, analisar
o ensino da língua espanhola compreendendo: - a metodologia predominante;
- a capacitação dos professores; - os motivos que levaram o alunado
a optar pelo aprendizado da língua espanhola bem como seu grau
de interesse pelo idioma; - o grau de conhecimento/rendimento
do alunado e o grau de conhecimento/rendimento pretendido; - outros
que se façam úteis ao estudo. Desde já agradeço a atenção.
Boa tarde!!!
Parabéns pelo belíssimo site!!! Já o visitei diversas vezes e
o indiquei a diversas pessoas. Estou precisando de uma ajuda sua.
Sou professora de inglês em escola estadual há três anos, era
professora de português mas fui obrigada a pegar inglês. Tenho
apanhado bastante, pois na verdade nunca fiz um curso de inglês,
apenas na faculdade de letras. Acho que aprendi bastante nesses
três anos, mas... falta muito. A ajuda que estou precisando é
que farei um concurso para me tornar efetiva no cargo de inglês
e gostaria que você me desse algumas dicas de como estudar e aprender
mais vocabulário e mesmo fixar todas as regras gramaticais. Gostaria
também que me indicasse uma gramática em português que você considera
boa. Desde já muito obrigada. Aguardo ansiosa seu contato. Deus
lhe pague!!! Parabéns!!! E.
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As
pessoas podem ter diferentes razões para procurar ajuda na Internet,
e não entre colegas ou professores com os quais convivem no ambiente
profissional ou acadêmico. Às vezes, elas buscam no ambiente virtual
uma atenção e uma receptividade que não encontram no seu local de trabalho
ou estudo. Outras vezes, os professores parecem se sentir mais à vontade
procurando ajuda fora do círculo em que atuam, onde não há a possibilidade
de alguém comentar: "Você é professor e não sabe isso?" Essas duas circunstâncias
ficam evidenciadas nos seguintes e-mails:
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Vivian: Sinceramente,
não esperava que você fosse responder meu e-mail. Acho que é por
tantos professores, mestres e doutores que tentei contatar na
busca de informações sobre mestrado e nunca me deram resposta.
Felizmente, você se mostrou na mensagem tão simples e prestativa
como no livro. Obrigada! Aqui estão os endereços do Friday's em
São Paulo. O de Campinas ainda não consegui, mas está a caminho.
Um abraço, L.
Please help
me. 1. Que tipo de advérbio é probably na frase: People would
probably agree with us. 2.Lí em um livro que o adjetivo enough
(bastante, suficiente), pode ser usado como pronome. Você poderia
me explicar isso e dar algum exemplo, já que no livro não havia
explicação? 3. O que devo usar nesta frase, such ou such a? It
was ___ important information that we decided to call the president
immediately. 4.O que quer dizer "Chicanos" na frase: "Chicanos
are also carefully considered by the university regualtions against
harassment." Thanks a lot! C.
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Há
14 mensagens de "C" na minha caixa de entrada, para citar
apenas um caso entre vários de professores que se tornam assíduos no
site. À medida em que se sentem mais à vontade, o tipo de linguagem
começa a se assemelhar bastante àquela usada entre amigos que se conhecem
pessoalmente, e a própria mensagem adquire uma função mais de colaboração
do que de busca de auxílio. É quando o usuário começa a se sentir produtor,
e não apenas receptor passivo, da informação. Eu, pessoalmente, vibro
quando isso acontece, porque demonstra um amadurecimento da relação
do usuário com a informação. Além disso, a ajuda dos usuários sempre
ameniza a carga de trabalho na manutenção do site.
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Oi, Vivian.
Ocorreu-me mais uma idéia (cheia de idéias, não?) que talvez vc
possa aproveitar no site. Uma bibliografia (mais uma!) para incentivar
as crianças a ler. Acho que isso tem tudo a ver com educação.
A Ana Maria Machado enfatizou muito a questão da leitura infantil
em entrevista à revista Educação. (A entrevista pode ser lida
na Web. É só digitar na página inicial do Google o seguinte: Ana
Maria Machado revista Educação.) Ela também escreveu um livro
a respeito, Como e por que ler os clássicos universais (desde
cedo), que faz parte de uma série, Como e por que ler, da editora
Objetiva. Certamente é da mesma série o Como e por que ler de
Harold Bloom, outro livro fabuloso, mas que, pelo tom, é dirigido
especialmente aos adultos, embora grande parte dos livros indicados
criança também possa ler e com muitos benefícios. Há muitos livros
maravilhosos sobre o tema. O meu preferido é Como um romance (Editora
Rocco), de Daniel Pennac, professor e escritor francês. Ele conta
as experiências dele como pai, aluno e professor. Todas relacionadas
com os livros. Há interesse? Não se acanhe em tomar a iniciativa
de me pedir alguma resenha se lhe ocorrer algum título. Quando
disse que estava à sua disposição não foi só da boca para fora
(do teclado para fora...). O máximo que pode acontecer é o tempo
estar curto, mas aí a gente negocia. Abraços E.
Oi Vivian, Estou
escrevendo para desejar, atrasadamente, muitos anos de vida para
a sua filhinha (apesar de não a conhecer), que fiquei sabendo
que fez aniversário nesse sábado passado. Agradeço muito pelas
valiosas idéias que você me deu acerca do Present Perfect. Tenho
24 anos, estudo inglês desde os 7, mas sempre tenho alguma coisa
pra aprender. Todos os dias aprendo alguma coisa nova. Infelizmente
ainda não tive a oportunidade de ir para fora para aprimorar meus
conhecimentos da forma que gostaria. Mas me atualizo diariamente
por meio de filmes, música e principalmente por meio da internet.
Posso dizer sem exagero que o primeiro site que abro nos meus
finais de semana, é o seu site. Acho o site mais completo para
estudantes e professores de idiomas, e não fico uma semana sem
acessá-lo. Gostaria de saber se, quando eu tiver algum questionamento
acerca de formas de trabalhar a língua, bem como idéias novas,
poderia continuar escrevendo. Se sim, ficarei muito agradecido.
Seguem anexas algumas expressões que tenho gravadas em meu computador
para que você possa trabalhar com seus alunos. Uma idéia seria
você imprimir todas e cortá-las em tirinhas. Cada aluno retira
uma tirinha, que contém a expressão e sua tradução em português
(para que só ele inicialmente saiba o que significa). Após, ele
terá um certo tempo para dizer o significado daquela expressão
para o resto da sala. Só não poderá falar em português. Poderá
explicar por meio de mímicas, desenhos no quadro ou, o que seria
melhor ainda, contando uma estória com aquela expressão. Os outros
tentam adivinhar qual é a expressão correspondente no português.
Se gostar da idéia me fale! É super divertido e educativo! Tchau,
tchau, N.
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Conforme
a metáfora criada por Neil Coghlan e já citada anteriormente, a Internet,
com seus sites docentes, se transformou na "maior sala de professores
do mundo, com milhões de professores lanchando juntos, trocando idéias
uns com os outros." O teor de alguns e-mails lembra, de fato, o tipo
de conversa que se passa numa sala de professores, onde estes trocam
informações que dificilmente obteriam em livros didáticos ou dicionários:
|
Oi, Vivian lembra-se
de mim? Bom para relembrar sou Verusca, de Capanema - Paraná.
Vivian, tenho uma simples pergunta a qual sei que você saberá
ma dizer. Como digo "pinico" in English? Estou aguardando resposta.
Obrigada. V.
Hello! My name's
V. and I'm an English teacher here in Rio Grande do Sul. I have
a word that my students always ask me but I am never able to answer
it. They have asked me how to say "gostosa" as in "Tiazinha is
gostosa" but I don't know how to say that. Please if you could
help me I would be very thankful. I'm looking forward to receiving
your answer. Thank you! V. (Oi! Meu nome é V. e eu sou professora
de inglês aqui no Rio Grande do Sul. Eu tenho uma palavra que
os meus alunos sempre me perguntam, mas eu nunca consigo responder.
Eles me perguntaram como é que se diz "gostosa", como em "Tiazinha
é gostosa", mas eu não sei como dizer isso. Por favor, se você
puder me ajudar ficarei muito grata. Aguardo ansiosamente a sua
resposta. Obrigada!)
Saudações. Gostaria
de parabenizá-los pela oportunidade única, que nós professores
de Língua Inglesa tivemos ao ser criado este site. Não sou muito
experiente em informática, mas sempre que posso, procuro consultá-lo
para aprimorar as minhas aulas. O motivo deste é solicitar-lhes
algumas sugestões para eu trabalhar com meus alunos aproveitando
a Copa do Mundo que está prestes a começar. Eu pensei em fazer
junto com a professora de Educação Artística, uma maquete onde
estaraim os diversos jogadores e os alunos colocariam a posição
dos mesmos em inglês. O meu pedido a vocês é que me enviem esses
nomes pois eu não consigo encontrá-los. Se acaso vocês tiverem
alguma sugestão mais interessante, eu agradeço. Um forte abraço.
M. C.
|
O
que é que se ganha respondendo a esses e-mails, que são apenas uma pequena
amostra da comunicação que se estabelece entre webmasters e usuários?
Agradecimento? Nem sempre. Mas, quando vem, o reconhecimento de um colega
a quem se ajudou pode significar muito, como foi o caso da mensagem
abaixo:
|
Cara Vivian,
Eu queria te agradecer muito mesmo pelas dicas que me mandou.
Eu já havia feito uma busca na internet, mas não estava indo pelo
caminho certo. Sem você, eu não teria achado todo o material que
eu achei e que era exatamente o que eu estava procurando. Deus
te abençoe. Estou à disposição se você precisar de mim. Abração.
R.
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Novos
amigos? Nem sempre. Na Internet, os relacionamentos podem ser profícuos
e profundos, mas ainda assim ser efêmeros. Visitantes vêm e vão. Assim
como aparecem, somem; assim como somem, voltam a aparecer. Se o relacionamento
é virtual, os laços também têm de ser abertos, não limitados ao tempo,
ao espaço e às convenções do mundo "real".
Retorno
financeiro? Indiretamente, talvez. Comercial ou não comercial, o site
sempre "vende" alguma coisa: se não um produto ou um serviço, uma imagem.
Na comparação feita por Barbara Dieu, do site The English Department,
"um site é um cartão de apresentação, já que criamos um canal de comunicação
onde veiculamos nossas idéias, trabalho e sugestões. Outro entrevistado,
Ricardo Schütz, também vê o site English
Made in Brazil como uma vitrine para a sua bem-sucedida escola
em Santa Cruz do Sul. Ele calcula receber cerca de 20 e-mails por dia
que "merecem uma resposta". A gentileza com a qual procura responder
a essas mensagens - inclusive a minha, quando o contatei para fazer
parte desta pesquisa - certamente contribui para a construção, pelos
visitantes, de uma imagem positiva que transcende o próprio site.
Provavelmente,
o que mais move os webmasters a dedicarem tanto tempo a responder mensagens
de seu público é o fato desse público ser indissociável do próprio site.
Assim como um site não existiria sem o seu webmaster, também não existiria
sem os visitantes, porque um site é feito prioritariamente de interação.
Por mais informação que ofereça, se não houver interação, não será um
site: será um mero documento. Obviamente que há outros canais de interatividade
no ambiente virtual, como o próprio hipertexto. Entretanto, o hipertexto
representa a interação com a informação; e-mails é que permitem às pessoas
de fato encontrarem-se umas com as outras. Por mais tempo que exija,
responder a mensagens eletrônicas é uma atividade indispensável ao webmaster
que deseja manter um canal aberto com seu público.
A questão
é: qual o limite dessa dedicação? Em outro depoimento escolhido para
figurar no apêndice, Dave Sperling diz acordar às cinco e meia da manhã
para responder a e-mails. Eventualmente, ao acumular essa função com
outras tarefas que precisam ser executadas no site, chega a ficar 15
horas por dia em frente ao computador, deixando, inclusive, de dormir.
Manter
um site é, sob muitos aspectos, uma experiência fascinante. Tão fascinante,
aliás, que trabalhar nele pode facilmente se tornar uma compulsão.
Em
janeiro desse ano, aproveitei as férias na praia para fazer uma "faxina"
no Língua Estrangeira: remodelei a página de abertura, adicionando novas
seções; reorganizei os links nas páginas, testando cada um para ver
se continuavam válidos; reformulei a seção "Li e gostei", organizando
os livros recomendados em ordem alfabética; criei novas páginas e, claro,
dediquei ainda mais tempo a responder os e-mails que chegavam.
Um
dia, minha filha Fernanda, de cinco anos, se aproximou de mim enquanto
eu trabalhava no computador. Depois de ter certeza de que tinha a minha
atenção, perguntou: "Mãe, se um ladrão entrasse aqui em casa e roubasse
eu e o computador, de quem tu sentirias mais falta?" A partir desse
dia, eu me impus limites. Continuo respondendo e-mails diariamente,
mas atualizo o site apenas uma vez por semana, trabalhando nele prioritariamente
quando os meus filhos estão ainda dormindo, ou na escola, ou ocupados
em brincadeiras com os amigos. Exceto por força maior, não ligo o computador
aos domingos.
É
possível passar menos horas por semana trabalhando no site e, mesmo
assim, manter a qualidade e a atualidade das informações. A melhor maneira
de fazer isso é criar instrumentos para que os usuários comuniquem-se
entre si, como fóruns, chats e grupos de discussão. Assim, eles poderão
buscar entre si as informações, conselhos e materiais de que precisam,
tornando o webmaster mais um gerenciador do que um provedor de informações.
O Língua
Estrangeira não conta, ainda, com essas "modernidades". Em primeiro
lugar, porque implantá-las exige conhecimentos técnicos específicos
que eu ainda não tenho. Em segundo, porque a participação dos usuários
ainda é tímida: apesar de lançar, todos os anos, um concurso comemorativo
pelo dia do professor, são sempre poucos os professores que enviam o
relato solicitado. Existe, também, um certo medo em descentralizar demais
a informação: não é incomum que usuários utilizem-se do espaço gratuito
nos fóruns e chats para anunciar produtos, passar "correntes" ou, por
ingenuidade ou má fé, espalhar informações falsas, como a de que o Brasil
aparece nos livros-texto de geografia, nos Estados Unidos, sem a Amazônia.
Manter
um site é, como procurei deixar claro ao longo desse trabalho, uma atividade
multifacetada. Envolve competências, tarefas e responsabilidades das
mais variadas, e, ao mesmo tempo que permite um crescimento pessoal
através das trocas que se estabelecem com os usuários, exige tempo,
dedicação, conhecimentos, equilíbrio, uma certa dose de carisma e muita
disposição para aprender.
Esse
tour pela intimidade de um site teve por objetivo demonstrar que, se
as exigências são grandes, o retorno também o é. Sob alguns aspectos,
a conquista do ciberespaço se assemelha à conquista, no passado, dos
mares nunca antes navegados: ambos abriram as portas para novos mundos,
novos conhecimentos, novos horizontes; às vezes, à custa de sacrifícios.
Cabem, tanto num caso quanto no outro, as palavras de Fernando Pessoa
nos conhecidos versos do seu poema, Mar Portuguez : "Tudo vale a pena
se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador tem que passar
além da dor."
A diferença
é que, na Internet, se pode vislumbrar chegar muito além do Bojador*.
............................................................................................................................
* N.A.:
Bojador, a que Fernando Pessoa se refere, é o Cabo Bojador, na costa
oeste da África. O Bojador a que eu me refiro não tem, necessariamente,
uma conotação geográfica. Significa, simplesmente, o "além do além"
de cada um.
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