Li e gostei

Por muito tempo, professores visitantes do site sugeriram que eu organizasse uma lista de livros recomendados, com um breve resumo do assunto que cada obra aborda. Comecei a fazer isso aos poucos, indicando a cada semana um livro, e depois compilando nesta seção.

Eu gostaria que as indicações semanais tivessem a colaboração de todos os professores. Assim, se você leu alguma coisa realmente interessante que tenha relação com o ensino de idiomas ou com educação em geral, por favor, mande por e-mail o nome do livro, autor(es), editora e um pequeno resumo.

Para que os visitantes do Língua Estrangeira não fiquem restritos aos livros que eu escolhi como sendo interessantes para nós, educadores, estou também colocando um link para a página do site Made in Brazil , onde Ricardo Shütz relaciona a bibliografia que ele considera indispensável para professores de inglês.

Quem gosta de ler e de escrever provavelmente também vai se encantar com o site Amigos do livro. O site traz informações sobre lançamentos, concursos literários, notícias relacionadas às Letras, entrevistas com escritores, e muito mais. Não deixe de dar uma olhada.

Os títulos abaixo, que foram as indicações do site Língua Estrangeira, estão relacionados em ordem alfabética.

O livro Assessment in the Learner-centered Classroom, de Alan Trussel-Cullen, foi o livro que despertou em mim o interesse pela questão da avaliação. Em consonância com os mais respeitados autores nessa área, Trussel-Cullen fala da importância da avaliação como instrumento de diagnóstico, não de veredito, além de trazer inúmeras questões para reflexão e sugerir pontos de mudança, seja na nossa prática ou na nossa atitude em relação ao ato de avaliar. Como o livro foi comprado diretamente da editora (Dominie Press) na convenção do Tesol em 2000, não sei com que facilidade ele pode ser comprado aqui no Brasil. Mas vale a pena procurar. O livro tem 205 páginas.
A Auto-estima de Seu Filho (Dorothy C. Briggs, editora Martins Fontes) - Nas 211 páginas desse livro, a autora mostra que o potencial -- intelectual, social e emocional --de cada criança irá depender do meio psicológico em que ela vive, e que a auto-estima é resultado da qualidade das relações entre as crianças e aqueles que desempenham um papel importante em sua vida, inclusive seus professores. Um trecho do livro: "Robert Rosenthal, psicólogo de Harvard, verificou que crianças cujos professores manifestavam confiança na sua capacidade de aprender tinham QI de 15 a 27 pontos mais altos do que as outras. A valorização não-verbal tornou-se um reflexo positivo para cada criança, permitindo-lhe dizer: "Eu posso fazer". A confiança do professor tornou-se a confiança da criança."
Behaviour Management Pocketbook é de fato um livro que cabe no bolso: foi publicado num formato 10,5 x 14,5 cm. No entanto, é um dos livros mais completos que eu já li sobre class management. O texto, baseado muito mais na experiência dos autores do que em pesquisas acadêmicas, aborda aspectos importantes do gerenciamento de relações em sala de aula. Os autores Peter Hook e Andy Vass se referem metaforicamente às estratégias aprendidas e desenvolvidas pelos professores como itens de uma caixa de feramentas: bons professores examinam bem o contexto da situação antes de buscarem na caixa de ferramentas a melhor estratégia para "consertar" aquilo que não está funcionando como deveria. Algumas das sugestões não vão além do que se esperaria de um professor com um mínimo de bom senso, mas várias estratégias foram novidade para mim, como a de fazer com que o aluno perceba uma punição como uma escolha dele, e não do professor. Outras são lembretes daquilo que a gente sabe que deveria fazer, mas geralmente não faz, como substituir ordens negativas (Não bata no colega!) por outras positivas (Seja educado com o seu colega). Para professores iniciantes na carreira, é um guia bem conciso que pode ajudar quando surgirem os primeiros conflitos; para os mais experientes, é um reforço em relação a atitudes que contribuem para uma atmosfera mais respeitosa e amigável em aula. O livro tem 127 páginas e foi publicado pela editora Teacher's Pocketbooks.
A Casa da Mãe Joana: curiosidades nas origens das palavras, frases e marcas é um livro ótimo para se ler nas férias. É uma leitura agradável, leve e por vezes até divertida, sem deixar de ser séria, informativa e interessante. O livro aborda, como já diz o subtítulo, a etimologia de várias palavras e expressões correntes do português. "Mal e porcamente", por exemplo, é uma corruptela de "mal e parcamente" (de parco=pouco), e Caratê vem do japonês Kara (vazio) e Te (mão), uma luta portanto sem armas, de mãos vazias. Fica evidente no livro a enorme influência de diversas línguas estrangeiras (não só do latim) na formação de palavras em português. A obra de Reinaldo Pimenta foi publicada pela Editora Campus e tem 262 páginas.
150 Jogos não Competitivos para Crianças propõe a pais e professores que procurem desenvolver, através de jogos não competitivos, referenciais solidários nessa geração marcada pela competição do mundo atual. O objetivo deste livro, escrito por Cynthia MacGregor, é propor brincadeiras saudáveis que promovam a aproximação das crianças entre si e delas com os adultos. Muitas dessas bincadeiras, voltadas para crianças do ensino infantil e fundamental, podem ser adaptadas também para as aulas de língua estrangeira. A obra tem 332 páginas ilustradas e é uma publicação da editora Madras.
Children Learning English foi um dos livros que eu li quando me preparava para apresentar o workshop "Finding pleasure in working with kids" na convenção da APIRS, APLISC e APLIEPAR de 2004. Os doze capítulos do livro escrito por Jayne Moon convidam constantemente o leitor a uma reflexão sobre os temas abordados, como as atitudes do aluno e do professor em relação à aprendizagem da língua inglesa, avaliação, diversidade, particularidades das crianças como aprendizes de língua estrangeira e planejamento de aula. Os depoimentos de alunos e professores de diversos países são frequentemente a matéria-prima de Moon, que os comenta e analisa a partir da sua experiência como professora e teacher trainer, bem como do respaldo que busca em outros autores, listados ao final de cada capítulo. Além da seção de referências bibliográficas, cada capítulo apresenta também um sumário, que organiza de forma suscinta os principais pontos apresentados. A alta qualidade do livro não foi surpresa, uma vez que pertence à excelente "Teacher development Series", organizada pelo também excelente Adrian Underhill (autor de Sound Foundations). O livro, que tem 184 páginas, é editado pela Macmillan Heinemann.
The Classroom is a Stage é um livro fotocopiável com 40 sugestões de mini-peças (ou esquetes) teatrais para fazer com alunos de diferentes idades e níveis de proficiência. Já fiz algumas peças com meus alunos exatamente como estão no livro, outras foram adaptadas um pouco, mas sempre com excelentes resultados. O livro foi escrito pro Carlos Gontow, professor de inglês e ator, tem 233 páginas, e é uma publicação da Editora Disal.
Colona é a Nona! A história da imigração italiana contada por uma avó é um livro que discorre, em linguagem simples e cativante, sobre a trajetória dos imigrantes italianos desde 1875 até os dias de hoje. A autora Lydia Gabellini, que é presidente da ARPI (Associação Riograndense de Professores de Italiano), concentrou-se principalmente na história dos imigrantes que saíram do nordeste da Itália e vieram se estabelecer na Zona da Colônia, no Rio Grande do Sul. Divide a sua narrativa, que simula uma conversa com os netos, em dez capítulos: nos primeiros, conta sobre a chegada dos europeus ao Brasil, e como era o Rio Grande do Sul quando os primeiros italianos aqui chegaram; depois, comenta sobre as dificuldades de unificação dos pequenos países que formavam a Península Itálica, e sobre as razões do êxodo de italianos para outros países. Nos capítulos seguintes, discorre sobre as agruras da instalação nas colônias, e sobre aspectos culturais como a religião, a língua e a culinária dos imigrantes. Por fim, conta sobre a vida dos italianos de hoje, tanto no Brasil quanto na Itália. Um livro interessantíssimo para quem, como eu, é de origem italiana (um dos meus sobrenomes é Bacchin), mas também para professores que trabalham com o tema das raízes culturais dos seus alunos. O livro tem 68 páginas e é uma publicação da Conexão Comunicação e Marketing. Para informações sobre como adquiri-lo, escreva para claudia@tria.com.br
Como Desenvolver Conteúdos, Explorando as Inteligências Múltiplas, de Celso Antunes, é o terceiro fascículo da coleção Na Sala de Aula, da Editora Vozes. Essa obra mostra como podemos "ouvir" linguagens diferentes das que a escola instituiu como únicas e universais. As mudanças de paradigmas trazidas por uma nova visão da mente humana interferem, portanto, no tema da educação e trazem novas linhas de procedimento para a escola convencional. Ainda que as inteligências humanas atuem de forma integrada, é possível direcionar estratégias e jogos para aguçar sensibilidades e competências específicas. Celso Antunes oferece sugestões de práticas escolares e jogos pedagógicos que estimulam as inteligências lingüística, lógico-matemática, espacial, musical,cinestésica-corporal, naturalista, intra e interpessoal e existencial (ainda em estudo). Este fascículo de 55 páginas pode, com certeza, se transformar num desencadeador da criatividade do professor, pois através das sugestões de atividades que o autor propõe, poderão ser inventadas novas estratégias para mudar paradigmas atitudinais e assim ressignificar o fazer pedagógico. (Sugestão de Lígia Mothes).
Como Dizer Tudo em Inglês era, da primeira vez que eu o recomendei, o primeiro de uma série de dois livros, que também incluía Como dizer tudo em espanhol. Hoje, são seis os títulos, que além de inglês e espanhol contemplam o italiano, o francês, o alemão, o inglês para negócios, o espanhol para negócios e até um livro de atividades para inglês. O sucesso do primeiro livro, que levou ao lançamendo dos outros, é que mesmo nós, professores, não sabemos como dizer tudo em inglês...ou, muitas vezes, não temos certeza de como dizer coisas como "caixa eletrônico", por exemplo. A versão que eu tenho é organizada por tópicos e traz no apêndice o vocabulário espinhoso dos diferentes cargos nas empresas. Então, se você ainda não sabe dizer Analista de suporte técnico júnior, não custa dar uma olhada no livro de Ron Martinez, que nasceu na Califórnia e é professor de inglês em Recife. Como dizer tudo em inglês é editado pela Editora Campos e tem 250 páginas.
Como (não) Aprender Inglês é um dos pioneiros no ramo dos livros escritos especificamente para estudantes brasileiros de inglês. O autor Michael Jacobs, um inglês radicado no Brasil há quase 30 anos, concentrou-se nos erros e nas dificuldades mais comuns dos falantes de português, que como professor ele conhece bem. A sua experiência como aprendiz de uma língua estrangeira (já que ele chegou ao Brasil sem saber falar nosso idioma) também permitiu que ele fizesse, no livro, uma análise acerca das atitudes das pessoas diante do desafio de falar uma nova língua. Ele diz, por exemplo, que o aprendizado de um novo idioma vai levar mais ou menos tempo dependendo da dedicação de tempo e de esforço do próprio aluno. Pode parecer óbvio, mas ele defende essa idéia com tamanha propriedade que eu costumo fazer cópia dessas páginas e dar para os meus alunos lerem logo no início do semestre. O estilo bem humorado e agradável de ler também contribuíram, com certeza, para o enorme sucesso desse livro. O que Jacobs chama de "a edição definitiva" tem 254 páginas e foi publicada pela Editora Campus.
Como Ser um Ótimo Aluno de Idiomas é a tradução de How to be a more successful Language Learner, uma publicação originalmente da Heinle & Heinle que ganhou uma edição brasileira sob a marca registrada da Thomson Learning. Em suma, o livro traz todo aquele discurso metalingüístico que tentamos transmitir para nossos alunos, só que devidamente organizado por capítulos e recheado de exemplos e de estratégias que podem ser úteis aos aprendizes dos mais diversos níveis. Algumas frases tiradas do livro: "Em última análise, o aprendizado depende da persistência que o aluno tem em aprender." Ou: "O processo de aprendizagem demanda mais tempo do que se possa supor. Não dê crédito a anúncios que asseguram que você aprenderá o idioma em três semanas ou devolverão o seu dinheiro. Aprender demanda tempo, visto que as línguas são sistemas complexos de sons, palavras, gramática e maneiras diferentes de comunicar os significados." Ao contrário do que possa levar a concluir o título, esse livro não é só para estudantes: é ótimo também para que professores aprendam mais sobre os aspectos envolvidos no aprendizado de um idioma, tendo mais argumentos na hora de discutir as dificuldades pelas quais os alunos certamente hão de passar. A boa idéia de escrever esse material, que tem 119 páginas, partiu das autoras Joan Rubin e Irene Thompson
Conversas sobre Educação, de Rubem Alves, é um livro recheado de pequenas histórias, metáforas e exemplos da vida real que envolvem o leitor com um tom de conversa, realmente. Temas já hiper explorados em outras obras, como a necessidade de ensinar a pensar e de cativar a curiosidade dos alunos, a importância de uma educação inclusiva, e a arbitrariedade de algumas práticas escolares ganham um enfoque tão interessante que voltam a ser temas cativantes e, pela singularidade do olhar de Alves, voltam a ter um quê de novidade. Ao ler na contra-capa o histórico desse autor, compreendi porquê: ele é pedagogo, poeta, filósofo, teólogo, cronista, autor de livros para crianças e psicanalista. Um pouco de cada um desses papéis se revela no livro, e tudo --cebolas, moluscos, bolas de gude, queijo e castigos-- pode servir de exemplo para nos ensinar alguma coisa sobre educação, sobre os alunos e sobre nós mesmos como indivíduos ou professores, e principalmente nos fazer refletir sobre alguns descalabros do ensino. O autor promete escrever um novo livro chamado "Enciclopédia de absurdos pedagógicos" e, pelo que ele fala no livro, material é que não vai faltar. Provavelmente, leitores também não. Conversas sobre Educação foi editado pela Verus Editora, e é uma pena que tenha só 130 páginas.
Cooperative Learning é um livro escrito por Spencer Kagan, um dos autores de referência no assunto da cooperação na aprendizagem. O livro é dividido em quatro partes: a primeira trata da teoria e dos principais conceitos relacionados à cooperação; a segunda sugere diferentes estratégias para um ensino cooperativo; a terceira refere-se a planos de aula, e a quarta aborda o tema da cooperação além da escola, ou seja, da educação para um comportamento solidário na comunidade. Como o livro foi escrito tendo como público alvo professores americanos, certamente que algumas adaptações terão de ser feitas, mas em geral o livro é bastante interessante, prático e de fácil leitura. Quem quiser maiores detalhes sobre o livro ou sobre o assunto Cooperative Learning pode tentar entrar no site do autor, que também editou e publicou a obra: www.KaganOnline.com
O Corpo Fala é um livro que aborda um tema interessante a todos os professores, mas sobretudo aos de línguas: a comunicação não-verbal. Quase sempre inconscientes, as mensagens que o corpo manda freqüentemente contradizem o que é dito pelas palavras. Saber observar e interpretar essa linguagem corporal é quase como aprender um novo idioma. Para que esse aprendizado se dê da forma mais eficiente possível, os autores sugerem vários exercícios que permitem ao leitor conhecer melhor a si mesmo e às pessoas à sua volta. A leitura desse livro, portanto, certamente enriquece as relações interpessoais. O interessantíssimo trabalho de Pierre Weil e Roland Tompakow tem 291 páginas e é publicado pela editora Vozes. A única coisa que não surpreende no livro é ele já estar na 52a. edição.
Creating Conversation in Class: Student-centered interaction faz parte da Professional Perspectives, uma série para professores de inglês da Delta Publishing. O livro oferece mais de cem sugestões para soltar a língua dos alunos em aula, e subdivide-se nas seções getting started, Breaking the ice, Talking to each other, Talking about people, Focusing on the family, Playing games, e Learner training. Essa última não é bem uma seção, mas um tipo de apêndice metalingüístico ao final de cada uma das outras seções. O objetivo é fazer o aluno refletir sobre como ele aprende (ou deixa de aprender), as melhores formas de revisar o que já sabe, e até sobre as suas experiências de avaliação, como testes escritos e orais. As atividades normalmente não necessitam de uma preparação extensa, e quando as worksheets são necessárias, ela podem ser copiadas do próprio livro. A desvantagem desse material, a meu ver, é que muito poucas atividades (cerca de 10% do total) são para alunos iniciantes, e mesmo essas (classificadas como elementary) exigem uma certa bagagem na língua. A razão para isso, provavelmente, é que o público-alvo deste livro são professores do ensino médio e de adultos. A autora, Chris Sion, provavelmente presumiu que alunos nessas faixas etárias já estudaram inglês por pelo menos três anos. Só que no Brasil isso nem sempre quer dizer grande coisa.
Criatividade no Ensino de Inglês é um livro cujo autor, Francisco Gomes de Matos, eu conheci quando participei do VIII FELT em Recife: aquele tipo de professor que já fez praticamente de tudo em termos de educação (foi professor das redes pública e privada, e também na universidade), e que agora se dispõe a compartilhar um pouco do que aprendeu ao ensinar. A idéia central do livro é justamente aquela presente no título: que com um pouco de criatividade, é possível maximizar recursos que, muitas vezes, passam despercebidos pelo professor. São, ao todo, 20 criatividades propostas pelo autor, sempre numa linguagem que chama o leitor para um papel mais ativo do que o de mero receptor das informações, como se houvesse na verdade um diálogo entre colegas. Também é interessante, nesse livro de 110 páginas publicado pelo a editora Disal, a mistura de inglês com português no texto, que me lembra muito o tipo de linguagem usado pelos professores brasileiros de inglês quando conversam na sala dos professores.
A Décima Segunda Noite é uma releitura da peça "A Noite de Reis" (cujo título original é The Twelfth Night ), de William Shakespeare. Escrever uma releitura de um clássico da dramaturgia seria um desafio para qualquer escritor, mas nas mãos do hábil Luiz Fernando Veríssimo resultou em divertidas149 páginas que mantiveram as características do enredo original, apesar das óbvias adaptações. Uma delas é transformar Henri, um papagaio cujas penas cinzentas são pintadas de verde amarelo, em narrador da história de desencontros amorosos com final "shakespeareanamente" feliz. Muitas dessas adaptações, nem sempre sutis, se tornam mais engraçadas quando se conhece a história original, mas esse não é um pré-requisito básico para acompanhar o intrincado enredo e se encantar com a história. A Décima Segunda Noite é, na verdade, parte da coleção "Devorando Shakespeare" da Editora Objetiva, na qual diversos autores foram convidados para fazer releituras de diferentes obras do autor inglês. Com certeza vou procurar conhecer os demais.
Desenhando com os dedos, de Ed Emberley, não é exatamente um livro que eu li e gostei, mas que eu folheei e adorei. São inúmeras sugestões de ilustrações que se pode fazer a partir de impressões digitais. Animais, profissões, personagens característicos do Dia das Bruxas, e muitas outras imagens podem ser criadas sobre a marca dos dedos no papel. Um livro super útil para quem quem trabalha com crianças, pois os desenhos são muito fáceis de fazer. O livro é uma publicação da Panda Books e tem 80 páginas.
O Dicionário de Palavras e Expressões Estrangeiras, de Luis Augusto Fischer, se propõe a explicar o significado e ensinar a pronúncia de mais de 1.500 termos estrangeiros que são freqüentemente empregados na mídia brasileira. A origem curiosa de algumas dessas expressões também é um dos atrativos do dicionário, que é muito interessante e agradável de ler. A obra foi publicada pela editora L&PM, o que já é um certificado de garantia, e tem 343 páginas.
O Direito à Ternura, de Luis Carlos Restreppo, é o tipo de livro que todos os professores, independentemente da disciplina que lecionam, deveriam ler. Ele fala muito sobre a escola e a sociedade, um pouco sobre a família, e tenta resgatar a afetividade que deveria permear as relações interpessoais, mas que anda meio esquecida neste mundo tão moderno e tão científico. "O que resta, no final de um período de formação acadêmcia, não é só um conjunto de conhecimentos, mas também e de maneira muito especial, um conjunto de hábitos, de escrúpulos morais e comportamentos rotineiros que acabam exercendo um grande poder de regulamentação cognitiva sobre o educando", escreve Restreppo. O Direito à Ternura é uma publicação da Editora Vozes e tem 112 páginas.
A Distância entre Nós foi mais uma leitura de férias que me proporcionou um crescimento pessoal, sobretudo pelas coisas interessantes que eu aprendi sobre a India, sobre a cultura indiana e sobre o idioma hindu. A história narra a vida de duas mulheres que, na posição de empregada e patroa, são ao mesmo tempo ligadas por um destino semelhante e separadas por uma barreira social intransponível. Apesar da vasta diferença que há entre o Brasil e India no que diz respeito ao tratamento e aos direitos dos empregados domésticos, alguns trechos me soaram bastante familiares, como a frase que uma das amigas da protagonista diz numa festa:"Não se pode tratar essa gente bem demais. É melhor manter uma certa distância. Se não, eles acabam se aproveitando de você." O livro está, também, permeado de palavras hindus como baba (rapaz), seth (senhor), salaam (bom dia), kutta (cachorro), chalo (vamos), entre outras, além de inúmeros nomes de pratos típicos indianos. Mas a lição mais importante da leitura está na constatação de que o mundo precisa caminhar muito ainda para que todos sejamos iguais, uns perante os outros, assim como somos iguais perante Deus. Esse romance de Thrity Umrigar tem 331 páginas e foi publicado pela editora Nova Fronteira.
Educador Alquimista, como explica o seu sub-título, trata-se do poder que temos, como professores, de "transformar informação em conhecimento e bons exemplos em princípios de vida". Para que isso seja possível, a autora Maria Lúcia Mercadante Naddeo dá inúmeros exemplos e sugestões a partir da sua vasta experiência como educadora e palestrante, tratando dos assuntos mais diversos. Entre eles, a sensação de frio na barriga no primeiro dia de aula, a difícil tarefa de ajudar alunos que são vítimas da violência doméstica e a necessidade de levar em consideração os diferentes estilos de aprendizagem dos educandos. Estilos de aprendizagem é um assunto, aliás, que Maria Lúcia (ou Malú, como é conhecida) traz da sua área de atuação, o ensino da língua inglesa. Mas de uma maneira geral, embora sejam freqüentes as referências a aulas de inglês, o livro se destina a professores de qualquer matéria. O convite de Malu para uma dicussão sobre o ensinar e o aprender é extensivo a todos aqueles que, a exemplo de Robert Frost, optem por seguir "o caminho não trilhado (the road not taken): o caminho da permanente reflexão, auto-avaliação e transformação. O Educador Alquimista é uma publicação da editora Educação e Companhia e tem 165 páginas.
EFL Teaching and Learning in Brazil é uma coletânea de artigos apresentados na convenção conjunta da APLISC, APIRS e APLIEPAR em Florianópolis, em 2000. Nas suas três seções, Pedagogy, Research e Teacher Development, os artigos cobrem uma diversidade de temas que muito enriquecem o cenário do ensino e aprendizagem do inglês como língua estrangeira. A publicação do livro, que tem 270 páginas, é uma iniciativa de Mailce Fortkamp e Rosely Perez Xavier (organizadoras) e da Editora Insular. Mais informações sobre como adquirir a obra pelo e-mail aplisc@cce.ufsc.br
English for Life é um livro-texto adotado na rede municipal de Ensino de Americana, SP. Sabrina Espino, que é professora em Americana, deu o seguinte depoimento sobre ele: "No ano passado, a Prefeitura Municipal de Americana adotou a coleção English for Life" elaborado pela professora Maria Lúcia Mercante Naddeo. Os livros dessa coleção nem um pouco assemelham-se com aqueles livros entediantes e desestimulantes que costumávamos utilizar. "Nossa, professora!! O livro não é colorido? Mas... pode desenhar e pintar?" Não só pode, como deve!! Cala aluno "colore" seu livro de acordo com suas vivências. Dessa forma, eles giram em torno da experiência de vida de cada um, sem aquelas histórias irreais longe da realidade dos aprendizes brasileiros. Todos os conteúdos são abordados de forma criativa e cativante. Além disso, tudo é de acordo com os PCNs. O trabalho do professor torna-se mais prazeroso e a aprendizagem mais significativa. E o mais surpreendente é que no final do ano o professor depara-se com 30...35...40 livros diferentes numa mesma sala! Por quê? Tem uma frase em inglês que diz assim: "You will see for yourself". Então, será que ainda preciso dizer mais alguma coisa? (sabrinaespino@terra.com.br). Os livros da série English for Life são publicados pela Editora Educação & Cia, que pode ser contactada a partir dos seguintes telefones: (19) 32734141 e (19) 32734169.
English Sketches vem em duas versões: book 1 para alunos de nível básico, e book 2 para turmas de nível intermediário. São 16 "sketches" (peças teatrais curtas), fotocopiáveis e recheadas de humor em cada livro, as quais ajudam a praticar gramática e vocabulário de forma bem lúdica. Alguns skestches, como "Ticket inspector"e "The travel Agency", são "tiro certo", ou seja, não há aluno que não goste. Esse livro é um trabalho inspirado dos autores Ken Wilson (que eu tive o prazer de conhecer no Braz-Tesol) e Doug Case. Fitas cassete ou CDs acompanham essa publicação da editora Macmillan.
Ensinar: gir na urgência, decidir na incerteza é um livro de Philippe Perrenoud que aborda a complexidade das relações escolares. O livro discorre sobre a noção de competência, os não-ditos na profissão de professor, o trabalho em em equipe pedagógica e a ambigüidade dos saberes, entre outros temas de extrema importância para aqueles que, todos os dias, enfrentam inúmeras incertezas e urgências na relações com seus alunos, sobretudo no ensino regular. Diz Perrenoud, "todo o professor sabe que terá de enfrentar , a cada ano, crianças ou adolescentes que não gostam da escola, ou que simplesmente não o consideram simpático ou detestam a disciplina que ele ensina, ou ainda a sua maneira de dar aula e avaliar." O livro, no entanto, não é de receitas; é de reflexão. Essa publicação da Artmed Editora tem 208 páginas.
Ensinar Aprendendo faz parte da coleção Integração Relacional , do psiquiatra, terapeuta familiar e conferencista Içami Tiba. Tiba aborda, de forma clara e prática, os desafios do relacionamento entre professores e alunos. Por não ter uma formação específica na área de educação, algumas de suas colocações sobre avaliação (como dar pontos por comportmentos desejáveis) são pedagogicamente ultrapassadas, e conseqüentemente devem ser lidas com ressalvas. A sua abordagem psicológica dos relacionamentos em sala de aula, no entanto, é bastante interessante e compensa eventuais deslizes em outros assuntos. O livro é publicado pela Editora Gente, e tem 170 páginas.
O Ensino de Artes e Inglês: uma experiência interdisciplinar é a publicação da pesquisa de mestrado da autora, Ana Amália Bastos Barbosa, sobre o tema da interdisciplaridade (artes em inglês) baseada nas teorias existentes de autores conhecidos, como Stephen Krashen. Ana, que foi alfabetizada nos Estados Unidos e formou-se em Artes Plásticas no Brasil, sofreu um AVC de tronco em 2003, ficou tetraplégica e utiliza-se de um computador desenvolvido pelo Hospital Sarah Kubitsckek de Brasília para se comunicar. No 1º capítulo do livro, além da questão da interdisciplinaridade, ela discorre sobre transdisciplinaridade e integração, mostrando suas dúvidas quanto à experiência de ensinar artes em inglês. No 2º capítulo, traz as teorias nas quais se baseou para "mesclar" as duas disciplinas: Natural Approach para o ensino da língua inglesa (de Stephen Krashen) e Abordagem Triangular para o ensino das artes (de Ana Mae Barbosa). No 3º capítulo, conta suas experiências com as duas primeiras alunas com quem trabalhou esta experiência interdisciplinar fascinante. É um diário com os relatos quase diários dos diálogos e formas de abordar as alunas quanto às obras de arte que estudavam. Após seu diário, duas professoras que assistiram suas aulas (uma de inglês e outra de artes) contam o que observaram nesses encontros e quais suas conclusões sobre as experiências da autora. Essa é uma publicação da Cortez Editora e tem 136 páginas. (Indicação de Elaine Rosa Defendi).
O Ensino de Inglês como Língua Estrangeira: estudos e reflexões é um livro comemorativo dos 15 anos da Associação dos professores de inglês do Rio Grande do Sul. Além de resgatar um pouco da história dessa exitosa e atuante associação, essa publicação tem também o objetivo de enriquecer culturalmente os seus leitores, apresentando 13 artigos que versam sobre os seguintes assuntos: inglês e educação infantil, aprendizagem de língua estrangeira na idade avançada, estilos de aprendizagem, aquisição do "present perfect", tipos de "corrective feedback", estratégias de leitura e inferência, desenvolvimento do vocabulário através das histórias infantis, as faces do livro didático de língua estrangeira, gêneros de discurso no livro Headway, e o ensino da cultura e os aspectos culturais presentes no ensino da língua inglesa. Dos artigos, praticamente a metade (seis) são em português e os demais em inglês. O livro, que foi organizado pelas professoras Simone Sarmento e Vera Müller, é uma publicação da APIRS e tem 266 páginas. Interessados em adquiri-lo poderão fazê-lo ao preço de 25 reais. É só mandar um e-mail com seu nome e endereço completo.
O Ensino de Inglês como Língua Estrangeira: Estudos e Reflexões II foi idealizado e produzido com o desafio de ficar à altura de seu antecessor, que é leitura obrigatória em várias instituições de ensino nos estados do sul do Brasil. Neste novo volume, 14 professores compartilham suas pesquisas e suas reflexões sobre assuntos que vão do papel do estagiário na mudança do "status quo" da escola pública à Linguistica de Corpus, um assunto muito atual sobre o qual todo o professor de inglês deveria saber pelo menos um pouco. Eu tenho também um artigo publicado no livro, artigo este que fala sobre a necessidade de um equilíbrio entre teoria e prática no currículo das instituições formadoras de professores. Este segundo volume do "Ensino de Inglês como Língua Estrangeira" teve como organizadoras as professoras Ana Luiza Freitas e Simone Sarmento, atualmente presidente e vice-presidente da Associação dos Professores de Inglês do Rio Grande do Sul, que comemorou com a publicação deste livro o seu 20o. aniversário. Se você tiver interese de adquiri-lo ao preço de R$ 25,00, por favor entre em contato por e-mail. O livro tem 322 páginas.
O Ensino da Língua Inglesa foi escrito por autores estrangeiros (Susan Holden e Mickey Rogers), mas abordam o ensino de Língua inglesa por uma perspectiva bem brasileira de quem trabalha com classes numerosas e recursos limitados. Como é escrito em português, muito do seu conteúdo --que inclui diretrizes metodológicas e sugestões de atividades-- pode ser aproveitado também por professores de outros idiomas. A publicação é da SBS Editora e tem 143 páginas.

Ensino de Língua Estrangeira: Estratégias Comunicativas é a dissertação de mestrado da profa. Luciane Sturm, da Universidade de Passo Fundo. No interessante relatório de sua pesquisa, Luciane aponta para as estratégias freqüentemente utilizadas pelos alunos ao tentarem se comunicar em um idioma que ainda não dominam. Apesar de menos freqüentes, algumas dessas estratégias se verificam também nos falantes nativos. A publicação da UPF Editora tem 139 páginas e faz parte da Série Dissertações.

Ensino-Aprendizagem de Línguas Estrangeiras: Reflexão e Prática é um livro sugerido por Maíra Valencise e tem como fio condutor a reflexão sobre diferentes aspectos do ensino e a aprendizagem de idiomas. Todo professor que vá dar aulas de Língua Estrangeira se pergunta como ensiná-la, mas são poucos os que refletem ou se perguntam sobre como se aprende uma LE. Tendo como base essa questão central, cada um dos artigos reunidos nesse livro expõe uma dificuldade, trata de um aspecto do processo de ensino/aprendizagem em LE e o analisa e interpreta a partir de um ponto de vista teórico. Os textos trazem à tona a possibilidade de uma visão multifocal do processo de aquisição/ aprendizagem de línguas estrangeiras e das formas de ensiná-las. Os autores são Fátima Cabral Bruno(organizadora), Neide Maia González, Vera Lúcia Menezes, Vera Lúcia do Amaral, Rosa Yokota, Rosana Ventura, Raquel La Corte, Hélade Scutti, Maria Cristina Micelli, Sílvia Ferrari de Arruda e Fernanda Castelano Rodrigues. O livro é uma publicação da Editora Clara Luz www.editoraclaraluz.com.br
Escola de tradutores é um clássico e pioneiro na área de tradução. Escrito por Paulo Rónai, lançado em 1952, passou por várias atualizações nas edições que se seguiram. Obra abrangente, vai da tradução literária - poesia e prosa - à técnica. Não é manual; trata-se muito mais da atitude do tradutor, sua ética perante a obra que se propõe traduzir e o tipo de preparo que deve ter esse profissional. É fácil e agradável de ler. E admiravelmente bem escrito, por alguém que aprendeu francês na França, escrevia português melhor do que muitos autores clássicos, traduzia com perfeição alemão, francês, inglês, grego e alguns mais. Alguém que acima de tudo amava o ofício, a tal ponto que chegou a declarar que a ele devia a vida. Foi graças a uma coletânea de poesias brasileiras de sua autoria que foi tirado de um campo de concentração depois de receber do Itamarati um convite para vir ao Brasil. Last but not least, para usar uma expressão que ele aprovaria como intransponível, o livro termina com um banquete: o poema E agora, José?, de Carlos Drummond de Andrade, vertido para o inglês, o francês e o alemão. Escola de tradutores é uma publicação da Editora Nova Fronteira e tem 171 páginas. (Por Edna Adorno).
Escrever é preciso: o princípio da pesquisa é um livro bastante útil para aquelas pessoas que estão às voltas com a escrita de uma dissertação, monografia ou tese. O autor, Mario Osorio Marques, é doutor em Educação e professor universitário, e trata de questões como a constituição do tema ou da hipótese, argumentação, citação, sistematização e validação dos saberes. No entanto, pessoas que simplesmente gostam de escrever também vão gostar desse livro, ainda que não estejam envolvidas como nenhum trabalho acadêmico de pesquisa. A primeira parte do livro trata do escrever em si: das interlocuções com o leitor, do escrever como ofício artesanal, da formação de um estilo, do lado psicanalítico do ato de escrever, da história da escrita e até das resistências ao escrever. A obra, de 163 páginas, é uma publicação da Editora Unijuí.
A estrada do futuro, um livro escrito por Bill Gates, aparentemente pode não ter nada a ver com educação. Só aparentemente. Já na página 11 ele faz uma revelação que, para mim, foi surpreendente: "Deixar um bando de adolescentes brincar com um computador foi idéia do Clube das Mães de Lakeside, a escola particular que eu freqüentava.As mães resolveram destinar o dinheiro arrecadado num bazar de caridade à instalação de um terminal de computador para os alunos. Permitir que colegiais usassem um computador, no final dos anos 60, foi uma idéia extraordinária pela qual serei eternamente grato." Ou seja: Bill Gates e a Microsoft poderiam não existir como nós os conhecemos hoje se a escola de Lakeside não tivesse percebido o importante papel que a comunidade pode ter no futuro de uma escola e de seus alunos. Numa linguagem acessível, o autor fala da construção da sociedade tecnológica em que todos nós --inclusive professores-- estamos inseridos. Às vezes é preciso pular as páginas mais técnicas ou as inúmeras previsões (tolas, como o próprio Gates admite) de como será o futuro. Mesmo assim ficarão muitas páginas de leitura agradável e informativa. A obra foi publicada pela Companhia das Letras e tem 347 páginas.
Falsos Cognatos: Looks can be deceiving é um livro onde o autor, José Roberto Igreja, apresenta e desarma armadilhas de palavras como idiom e preservative, que parecem uma coisa e significam outra completamente diferente. Em cada verbete, é apresentado o significado real da palavra, exemplos de frases em que ela é empregada, e também a maneira correta de dizer o que ela parece significar. Embora o público-alvo dessa obra seja alunos e professores de inglês, todas as explicações são dadas em português, e os exemplos são traduzidos para a nossa língua materna. O resultado é um livro muito fácil e gostoso de ler. No final, o autor propõe exercícios (practice sets) com chave de respostas, além de um guia de referência rápida. Falsos Cognatos é uma publicação da Disal Editora e tem 149 páginas.
Five minute activities: a resource book of short activities traz, como sugere o título, sugestões de atividades que não demandam muito tempo para serem executadas. As mais de 130 sugestões têm ainda em comum o fato de não exigirem materiais além de quadro negro, papel e lápis. O livro, que tem 105 páginas, faz parte da excelente coleção Cambridge Handbooks for Language Teachers e leva a assinatura da também excelente Penny Ur e de Andrew Wright.
Formação de professores: pensar e fazer é uma publicação da Cortez Editora que traz cinco textos escritos por profissionais de Educação, organizados por Nilda Alves. Todos os textos são voltados à formação de professores em diferentes situações de trabalho. O primeiro deles fala sobre a dificuldade que os professores têm em trabalhar em cursos noturnos, cujos alunos são, na maioria das vezes, desempregados, excluídos, sem esperança, sem motivação. O segundo trata da formação de professores que trabalham em escolas de periferia: os "dialetos" que os alunos levam para a sala de aula, os trabalhos com leitura e produção de textos. O terceiro fala sobre a formação que a universidade oferece ao cidadão e as contribuições do estágio para o futuro profissional. O quarto texto aborda a construção de um novo currículo para curso de Pedagogia no Rio de Janeiro e as influências deste sobre os profissionais. O quinto e último texto aborda a formação do educador de modo geral. (Indicação de Elaine Rosa Defendi)

A formação reflexiva de professores: idéias e práticas foi um dos livros que eu li durante a pesquisa bibliográfica para a minha dissertação de mestrado. Em tantos aspectos eu me identifiquei com o que diz o autor, Kenneth Zeichner, que eu tinha de me policiar para não copiar trechos inteiros da obra. Esse livro não é uma publicação recente: foi editado em 1993. No entanto, agora que se fala tanto em ser um professor reflexivo, a sua leitura é atual e muito esclarecedora. Um pequeno trecho: "Apesar das recentes reformas levadas a cabo sob a bandeira da emancipação dos profesores, muitas investigações feitas no campo da educação permanecem uma atividade conduzida pelos que estão fora da sala de aula para os que estão fora da sala de aula. Quando levados em conta, os professores são vistos como simples consumidores destas investigações.[...] O conceito de professor como prático reflexivo reconhece a riqueza da experiência que reside na prática dos bons professores." Esta é uma publicação da editora portuguesa Educa, e eu não sei se é fácil encontrar por aqui, pois a cópia que eu li me foi emprestada. Mas se você também se interessa pelo assunto "prática reflexiva", Zeichner é sempre uma boa referência.

Games for Language Learning não é só mais um livro com sugestões de atividades para a sala de aula. Um dos aspectos do livro que me chamou a atenção foi a singularidade das categorias dos jogos que apresenta. Além dos tipos mais comuns, como jogos de tabuleiro e jogos de memória, há categorias como jogos afetivos (sharing and caring games), jogos psicológicos (psychology games), jogos que usam sons (sound games) e outros que usam mágica (magic tricks). Ao todo, são 101 jogos divididos em 13 categorias e organizados num índice prático que indica, numa tabela, os tipos de habilidade envolvidas em cada jogo, o nível de proficiência necessário, o tempo para desenvolvê-lo, a exigência ou não de preparação prévia de material, e a página em que a atividade é descrita. Como todo o livro do gênero, ele só poderá ser eficiente se o professor souber adaptar as sugestões dadas à sua realidade pedagógica. O livro possui, ainda, um outro diferencial: faz parte da excelente série Cambridge Handbooks for Language Teachers, organizada pela também excelente Penny Ur. Assinam esse volume da série, que tem 211 páginas, os autores Andrew Wright, David Betteridge and Michael Buckby.
A good enough parent é, segundo a Edna Adorno, que o indicou, magistralmente bem argumentado e cheio de pequenas histórias, reminiscências da infância do autor, Bruno Bettelheim. O livro relata casos que desfilaram na sala em que, como terapeuta, atendeu incontável número de crianças por mais de trinta anos, dá exemplos, dicas e, acima de tudo, demonstra um genuíno e caloroso afeto pela criança. O educador austríaco parte do princípio que se deve procurar não a perfeição como pais, mas o desempenho bom o bastante, satisfatório. Ele toma emprestado esse conceito a D.W.Winnicott, autor da idéia "good enough mother". Segundo Bettelheim, a perfeição não está ao alcance das pessoas normais. Sua busca interfere com a leniência que se deve ter com as imperfeições alheias - incluindo as dos filhos - e a atitude leniente por si só é responsável pelas boas relações humanas. O exemplar da Edna é em inglês, tem 377 páginas e foi publicado pela editora Random House. Ela não sabe o título desse livro em português. (Nota minha: como pais e professores tem muito em comum, essa leitura deve ser interessante até para os professores que não tem filhos.)
Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no primeiro e segundo graus, de Luiz Carlos Travaglia, traz em si um avanço na questão do ensino de gramática nas aulas de Português. O autor propõe questões teóricas e práticas que respondem às perguntas "Para que ensinar a gramática? O que ensinar nas aulas de Português? Como ensinar gramática? Como integrar o ensino de gramática à produção textual, à compreensão de textos e ao estudo do vocabulário?" Com isso, especifica e inter-relaciona objetivos de ensino de gramática, de concepções de linguagem, de tipos de gramática e também da questão da variação lingüística. Permeia teoria com farta exemplificação, oferecendo ao professor subsídios para o estudo e a análise lingüística tradicional e moderna. Visa, dessa forma, à preparação de um usuário da língua mais competente e, portanto, melhor habilitado e instrumentalizado para a vida. A publicação é da Editora Cortez e tem 245 páginas. É possível que a editora tenha providenciado a atualização do título para Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no ensino fundamental e médio. (Contribuição da prof. Ligia Mothes)
Hamlet: edição adaptada bilingüe é, como diz o título, uma versão mais acessível da peça teatral mais famosa do mundo. Adaptada porque as expressões e formas gramaticais arcaicas (como What wilt thou do?) foram substituídas por uma linguagem mais moderna (What will you do?), assim como foram suprimidos alguns trechos (considerados pelos tradutores, Marilise Rezende Bertin e John Milton, como "divagações e repetições que pouco tem a ver com o desenvolvimento do drama"). Que fica uma obra muito mais acessível e agradável de ler, isso não há dúvida. Uma opção, portanto, à obra original, que agrada mais aos conservadores e puristas mas assusta os leitores convencionais. O texto foi publicado com o texto em inglês nas páginas ímpares, do lado direito, enquanto a sua tradução aparece nas páginas pares imediatamente anteriores, ou seja, do lado esquerdo. Assim, a obra pode ser lida inclusive por quem não domina a língua inglesa. O livro, que tem 164 páginas e foi publicado pela Disal Editora, traz ainda uma breve introdução à vida e obra de Shakespeare e alguns sites para consulta adicional.
História da Educação, de Maria Lúcia Arruda Aranha, faz um apanhado histórico das civilizações, pensadores, correntes filosóficas e tendências pedagógicas que marcaram os passos do educar desde a primeira civilização (Egito, quarto milênio a.C.), até os dias de hoje. No capítulo 12, o foco é o contexto histórico da educação brasileira. Em vários pontos do texto, a autora propõe leituras complementares e atividades de reflexão sobre os temas abordados. O livro traz, ainda, a origem etimológica de inúmeros termos (dentro do corpo do texto, e não em seção à parte) que ajudam a ilustrar e a detalhar os conceitos. Utopia, por exemplo, vem do grego ou-topos, significando em lugar nenhum. A Utopia de Platão era, portanto, um lugar que não existe, mas que deveria servir de modelo para as cidades-- um modelo discutível, diga-se de passagem, onde são eliminadas a propriedade e a família e todas as crianças recebem educação do Estado. História da Educação é publicado pela Editora Moderna e tem 245 páginas.
How Languages are Learned aborda de forma abrangente e acessível as principais teorias de aquisição da linguagem, além de discutir as implicações práticas dessas teorias no ensino de língua estrangeira. Escrito por Patsy Lightbrown e Nina Spada, tem 192 páginas e faz parte da série "Oxford Handbooks for Language Teachers", da OUP.
How Now, Brown Cow é, como diz o subtítulo, "A course in the pronounciation of English". Além dos símbolos fonéticos e de explicações detalhadas sobre os aspectos relacionados à pronúncia das palavras (onde e como os sons são formados, por exemplo), o livro traz 57 diálogos que repetem insistentemente (mas deforma lúdica, num tipo de "quebra-língua") os sons apresentados. O livro, cuja autora é Mimi Ponsonby, vem também com as fitas dos diálogos, mas a pronúnica usada nessas fitas é 100% britânica. Essa é uma publicação da Phoenix ELT e tem 123 páginas.
How to Use the Internet in ELT, de Dede Teeler Peta Gray, é um ótimo ponto de partida para quem pretende se familiarizar com a a internet como ferramenta pedagógica no ensino de inglês ou na sua própria formação continuada (o capítulo 2, Internet in teacher Development, trata justamente desse assunto). O livro começa por apresentar conceitos e tópicos bem simples, como o uso pedagógico do e-mail, até chegar a sugerir a criação de um site na internet como altrnativa ao uso do livro-texto. Um livro, portanto, que pode agradar tanto aos iniciantes como aos já iniciados na web. Esta publicação da Longman/Pearson tem 120 páginas.
Inglês é 10: O ensino de inglês na educação infantil é um livro muito útil para professores que trabalham com crianças. A partir da metáfora da planta que começa a ser gerada a partir de uma semente e evolui até dar frutos, a autora Lilian Itzicovitch Leventhal fala da importância do planejamento, das diferentes fases do desenvolvimento infantil e de aprendizagem significativa, entre outros assuntos, permeando cada capítulo com sugestões de atividades para serem desenvolvidas com os pequenos. Na sua maioria, essas atividades não exigem materiais sofisticados ou difíceis de preparar, o que torna o livro interessante para professores que trabalham em diferentes realidades e tipos de escola. Na verdade, mesmo professores de outros idiomas podem se beneficiar da maioria das sugestões, já que o livro é escrito em português e os assuntos trabalhados nas diferentes línguas são muito semelhantes. Inglês é 10 foi lançado pela Editora Disal e tem 123 páginas.
Inglês Instrumental: Estratégias de Leitura é o tipo de livro que eu pensei em escrever, só que Rosângela Munhoz se adiantou e escreveu antes. Eu, que sempre me escabelava procurando material de leitura adequado para alunos com baixa proficiência em inglês, encontrei no livro de Rosângela não apenas textos diversificados, mas também uma abordagem clara das estratégias de leitura, como scanning, skimming, reading for gist e prediction, além de outros "truques", como valer-se das palavras cognatas e analisar ilustrações e outras informações gráficas para melhor compreender um texto. A obra vem em dois módulos; o Módulo I, que é o que eu tenho, tem 111 páginas. Inglês Instrumental é uma publicação da Editora Textonovo em parceria com o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS).
Inglês que não falha é um daqueles livros que eu gostaria que tivesse sido escrito antes, quando eu ainda era aluna de inglês. Não que eu ainda não seja, porque nós, professores, estamos sempre em formação, mas eu me refiro àquela fase difícil, quando o que já sabemos parece a pontinha do iceberg em relação ao que falta aprender. Esse livro gostosinho de ler do Ben Parry Davies não só aponta para alguns erros comuns entre falantes brasileiros da língua inglesa, como também sugere diversas estratégias mnemônicas para que o leitor lembre da forma correta. Assim, não só evitará a reincidência no erro, como empregará a expressão com segurança ao falar. Por ser um autor de pronúncia britânica, algumas das dicas dadas no livro não iriam funcionar comigo, que morei 4 anos nos Estados Unidos. Para lembrar da palavra heater, por exemplo, ele sugere a associação com a cantora Rita Lee. Em compensação, outras sugestões são muito úteis, como a de associar vários sentidos (e o humor) para transformar a memória de curta duração em memória de longo prazo. Em algumas partes, o livro lembra "Como não Aprender inglês", de Michael Jacobs, mas o diferencial é essa ênfase no processo de memorização-- e conseqüente consolidação-- do vocabulário estudado. Inglês que não falha é uma publicação da Editora Campus e tem 288 páginas.
Inglês para curiosos traz mais de 100 palavras e expressões do inglês cotidiano, com o significado de cada uma em português, além de exemplos em inglês do seu uso em frases e a etimologia de cada um dos termos. Eu aprendi nesse livro, entre muitas outras coisas, que "dente canino" em inglês é "eye tooth" porque esses dentes se situam logo abaixo dos olhos. Enquanto, em português, se diria "Eu daria o meu dedinho para conseguir um lugar na primeira fila", em inglês essa expressão seria "I'd give my eyeteeth for a front row seat". Inglês para curiosos tem 116 páginas extremamente fáceis e agradáveis de ler, escritas por Jack Scholes e publicadas pela Editora Papier.
Inteligência: um conceito reformulado é um livro de leitura indispensável para aqueles que se interessam pela Teoria das Múltiplas Inteligências. Além de ser uma leitura interessante e esclarecedora, essa obra tem a grande vantagem de ter sido escrita pelo próprio Howard Gardner, que postulou a teoria no início da década de 90 e a publicou em 1993. Considerando que há tantas "interpretações", muitas vezes rasas e equivocadas, da teoria das Múltiplas Inteligências no mercado, buscar a fala do prórpio autor se torna extremamente importante. Apesar de Phd em psicologia social e do desenvolvimento e professor de pós-graduação de Harvard, a linguagem de Gardner no livro é simples e objetiva, desprovida de jargões herméticos e frases emboladas que muitas vezes caracterizam os textos científicos. Ao longo de 263 páginas (fora notas e apêndices), Gardner retoma os conceitos básicos da teoria, além de esclarecer e atualizar alguns de seus pontos, provavelmente guiado por uma crescente aflição em relação à "salada" que alguns educadores estavam fazendo desde a publicação de seu primeiro livro (Inteligências Múltiplas: teoria na prática), mesclando-o com outros conceitos, como estilos de aprendizagem e programação neuro-lingüística. O capítulo 6, por exemplo, trata dos mitos e verdades sobre as Inteligências Múltiplas, alguns dos quais remetem à aplicabilidade dos conceitos para a realidade de sala de aula. "Minha teoria não é de modo algum uma receita pedagógica", esclarece ele. Realmente, é muito mais. Inteligência:um conceito reformulado é publicado no Brasil pela Editora Objetiva.
An Introduction to Language apresenta os principais aspectos da lingüística moderna, como semântica, sintaxe, fonética, fonologia e morfologia. Apresenta também os conceitos básicos sobre a Psicolingüística e Sociolingüística. Ainda que seja bastante longo - com suas 620 páginas - esse livro é de muito fácil compreensão, e é destinado não apenas aos especialistas, mas aos iniciantes e interessados na área da Lingüística. Ele divide-se em 12 capítulos, sendo que, ao final de cada um, apresenta um resumo do que foi tratado e exercícios de fixação. Quanto à sua forma, também é de agradável leitura, pois há cartoons, charges e imagens que ilustram o que está sendo apresentado. Na minha opinião, o grande mérito deste livro é tornar assuntos considerados muito teóricos ou 'áridos' em uma leitura prazerosa e fácil. O estilo do texto é leve e bem-humorado. Depois de ler este livro, ou um capítulo dele, acho pouco provável que alguém diga que a Lingüística é muito "chata e teórica". An Introduction to Language, de Victoria Fromkin, Robert Rodman e Nina Hyams, é uma publicação da editora Thomson-Wadsworth e está na 7ª edição. (Essa resenha é uma colaboração da professora Maria Clara Corsini Silva.)
In your hands: NLP in ELT é um livro que aborda os conceitos da programação neuro-lingüística aplicados à realidade do ensino de língua inglesa. Na descrçãio das próprias autoras, Susan Norman e Jane Revell, é um livro "para pessoas que querem se tornar melhores professores e ajudar os seus alunos a se tornarem melhores aprendizes." O objetivo geral não é o de dar receitas passo-a-passo, mas o de apontar sugestões para que o leitor adapte os conceitos gerais na PNL às suas necessidades e realidade particular de ensino. A leitura é fácil e interessante. In Your Hands é uma publicação da Saffire Press e tem 144 páginas.
The internet and the language classroom é um dos livros integrantes da série Cambridge Handbooks for Language Teachers e trata da Internet como recurso pedagógico nas aulas de línguas (apesar do foco estar voltado pra o ensino de inglês, o autor Gavin Dudeney freqüentemente se refere ao ensino de línguas em geral). Dudeney consegue agradar tanto aqueles professores que precisam começar do be-a-bá na internet até outros que, como eu, já são veteranos na rede. Sugere ótimos sites e atividades, propõe atividades para o leitor aplicar o que aprendeu, dá dicas e termina com um pequeno vocabulário de termos relacionados à internet e com uma seleção de sites organizados por assunto. A minha cópia já está cheia de "orelhas", de tanto que eu uso. O livro tem 181 páginas e é uma publicação da Cambridge University Press.
Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências é uma contribuição aos professores que desejam buscam sugestões de como aplicar na prática a teoria das múltiplas inteligências proposta por Gardner. Escrito pelo experiente, competente e carismático professor Celso Antunes, o livro não é apenas uma coleção de receitas pedagógicas, uma vez que também procura informar sobre as características das diferentes inteligências (inclusive a pictórica, que não consta na teoria de Gardner), sobre características do desenvolvimento infantil nas suas diversas fases e sobre o potencial pedagógico dos jogos. Nem todas as sugestões apresentadas são adequadas ao ensino de idiomas, mas várias são, e outras tantas podem ser adaptadas. O livro é uma publicação da Editora Vozes e tem 295 páginas, mais apêndice.
Keep Talking: Communicative fluency activities for language teaching, de Friederike Klippel, é parte integrante da série Cambridge Handbooks for language Teachers. (O editor geral da série é o ótimo Michael Swan; precisa dizer mais?) O objetivo do livro é sugerir atividades comunicativas (123, para ser mais precisa) em três categorias: perguntas e respostas; discussões e decisões; e histórias e cenas. Impossível não achar alguma sugestão de atividade que faça os alunos saírem falando pelos cotovelos. O livro tem um bom sistema de busca, composto por um índice alfabético e outro por nível. Ao todo, são 202 páginas, incluindo worksheets.
The Kite Runner, publicado no Brasil com o nome "O Caçador de Pipas", é um livro surpreendente. Em primeiro lugar, porque é o primeiro romance de Khaled Hosseini, que já estreou com uma obra prima sem, aparentemente, ter formação literária: ele é médico. Em segundo, porque o inglês, língua na qual o livrou foi escrito originalmente, não é a língua materna de Hosseini: ele emigrou do Afeganistão com o pai apenas em 1980, aos 17 anos. No entanto, domina o idioma com maestria em 371 páginas de uma história comovente e chocante sobre honra, culpa, medo, amor e redenção. Finalmente, o livro me surpreendeu pelo destino trágico do povo afegão, primeiro nas mãos do exército russo, depois sob o radicalismo sanguinário do regime Taliban. Um sofrimento que, infelizmente, não tem nada de fictício. Para quem gosta de idiomas, como eu, o livro também é uma aula de farsi, ou persa, a língua oficial do Irã, Afeganistão e Tadjiquistão. Aprendi, por exemplo, que assim como está se tornando comum no Brasil, crianças e jovens afegãos tendem a chamar os adultos de Kaka e Khala, o equivalente a "tio" e "tia". E por falar em línguas estrangeiras, se você fala inglês fluentemente, não deixe de ler a história no seu idioma original. Não li a tradução, mas dificilmente o tradutor tenha conseguido transpor para o português toda a beleza e perfeição desse texto que recebeu o seguinte comentário de Isabel Allende, uma de minhas escritoras favoritas: "Esta é uma daquelas histórias inesquecíveis, que permanecem na nossa memória por anos a fio. Todos os grandes temas da literatura e da vida são o material com que é tecido esse romance extraordinário". The Kite Runner é uma publicação da Riverhead Books, com versão em português pela Nova Fronteira.
Laboratório de Redação para Séries Iniciais do Ensino Fundamental foi um presente que eu ganhei do próprio autor, Sergo Vieira Brandão. Presente nos dois sentidos da palavra: primeiro, porque não tive de pagar pelo livro (o que não seria problema, já que até é baratinho), mas presente de forma especial por ser uma leitura bastante interessante, apesar de eu não trabalhar com séries iniciais. O Laboratório de Redação contempla um público de professores que o nosso Cem Aulas Sem Tédio deixa meio órfãos, que são os professores de 1o. ao 4o. ano. No entanto, a proposta de trabalho é basicamente a mesma: são sugestões de atividades que propõem formas alternativas de trabalho, sem engessar o professor em receitas prontas e acabadas. Pelo contrário: já na introdução é dito que "o melhor desenvolvimento dos alunos irá ocorrer se os exemplos apresentados servirem apenas de ilustração e os textos, construídos de acordo com a realidade das crianças." São 21 sugestões de construção de texto, recheados com dicas do Sérgio, que além de escritor e professor também é psicólogo. Essa bagagem aparece em frases como essa: "Esteja consciente de que o aluno nas séries iniciais não fala do gato, do coelho ou do pintinho que ele desenhou. Ele ainda não possui essa capacidade de distanciamento. Ele fala dele mesmo. Se ele disser: O gato está triste porque a irmã briga com ele, ele quer dizer que a sua irmã fez algo semelhante." O livro aborda diferentes formas de expressão, como grafismo, poesia, prosa e dramatização. Legal, mesmo. Laboratório de Redação foi lançado pela Editora Paulinas e tem 69 páginas.
Learning to Learn English foi publicado em 1989, mas continua muito atual e, pelo que eu descobri no site da livraria Disal, ainda está disponível no mercado. A principal preocupação das autoras, Gail Ellis e Barbara Sinclair, é que os alunos aprendam a aprender inglês, ou seja, que eles adquiram estratégias de aprendizagem que vão facilitar e otimizar os seus estudos na língua estrangeira. O livro é apresentado em formato de livro-texto, dividido em capítulos em que são sugeridas diversas atividades, e onde o aluno é chamado a refletir sobre como se sente em relação a determinadas tarefas, como escrever ou ler em inglês, e em relação ao seu próprio desempenho. Em uma parte do livro, estudantes de diferentes países revelam particularidades de seu idioma que são diferentes do inglês-- no russo, por exemplo, não existe o verbo "To be". A partir daí, os próprios alunos são convidados a relatar como lidam com as diferenças gramaticais entre dois idiomas, antes que as autoras ofereçam algumas sugestões, como partir dos exemplos para a regra, em vez do contrário. Apesar do formato de livro-texto (que inclusive é acompanhado de teacher´s book e fita cassete), o ideal é que esse material seja intercalado com o uso de outros materiais didáticos. O livro foi publicado pela Cambridge University Press e tem 118 páginas (Student´s book) e 154 páginas (Teacher´s book).
Liane: Mulher como todas é um livro surpreendente. Sua autora é palestrante, ganhadora de duas medalhas de ouro em natação numa mesma olimpíada, trabalha, tem uma excelente auto-estima, é exemplo de garra para seus familiares e amigos... e tem síndrome de down. O seu livro é um relato da sua trajetória desde o nascimento até a sua festa de 40 anos, trajetória essa que inclui tanto as conquistas, que não foram poucas, quanto as dificuldades em ser diferente num mundo nem sempre muito pronto para aceitar as diferenças com naturalidade. O livro me tocou profundamente por dois motivos: primeiro, por ter tido um sobrinho e afilhado com síndrome de down, o meu querido Luciano, que infelizmente nos deixou antes de completar quatro anos de idade. Também me emocionou o papel importante dos professores na vida da autora: profissionais que souberam apostar nas habilidades de Liane, em vez de se concentrar nas suas limitações. O apoio e carinho desses profissionais, juntamente com o amor incondicional de seus pais, são mencionados em diversas passagens do livro como determinantes para esse histórico de desafios superados. Adorei, em particular, o juramento feito pelos atletas participantes das Olimpíadas Especiais, que Liane diz ser seu lema até hoje: "Quero vencer. Mas se não for possível vencer, quero ser valente na tentativa". Essa é, assim, uma leitura interessante e inspiradora para todos que apostam na inclusão como caminho para a educação e para a sociedade: a história tocante de quem, além de valente, é uma vencedora. O livro tem 165 páginas e é uma publicação da WVA editora.
As línguas do mundo é o título de um livro que foi escrito por alguém que traz, de berço, o interesse pelo estudo das línguas: Charles Berlitz. Charles é neto do fundador das Escolas Berlitz, Maximiliam Berlitz, que --diz-se-- dominava cinqüenta e oito idiomas. O livro é interessantíssimo e trata de curiosidades a respeito dos diferentes idiomas falados no mundo, informações essas organizadas em torno de temas como traduções inexatas, o surgimento das línguas, homófonos com significados bem distintos em duas línguas, ofensas, provérbios... ao todo são trinta e nove capítulos distribuídos em 316 páginas (com índice). Algumas informações são discutíveis, como o comentário de que o termo "bárbaros", originalmente barbaros, era empregada pelos viajantes gregos da antiguidade para designar os estrangeiros que não falavam grego, a língua da cultura, e que ao pronunciar suas línguas exóticas soavam como carneiros balindo (bée-bée). Há, também, trechos em que a tradução compromete o entendimento da frase. Berlitz explica que milha, por exemplo, é uma palavra derivada do latim mille, mil, e se referiria a "mil passos completos, pé direito e pé esquerdo, à passada formal de parada de uma região -- aproximadamente 158,49 cm -- , a maneira romana normal de medir a distância entre as cidades." A mim parece que nenhum romano teria uma passada de 158,49 cm! Pequenas falhas aqui e ali, entretanto, não invalidam a obra nem comprometem o prazer de sua leitura. "As Línguas do Mundo" foi editado pela Editora Nova Fronteira.

Literatura Infantil: gostosuras e bobices é um livro escrito para pais e professores que gostam de ler e que desejam deixar às crianças o legado do amor pelos livros. Em 174 páginas, a autora, Fanny Abramovich, percorre temas como a importância de se contar histórias,o humor na literatura infantil, a poesia, os contos de fadas, como contar histórias, como trabalhar com a apreciação crítica dos textos e como formar bibliotecas. Tudo muito bem temperado com bons exemplos, ilustrações e com o entusiasmo de quem - se vê logo pelo texto - é apaixonada pelas letras e pelas gostosuras de uma boa leitura. No final, Fanny sugere uma série de títulos de bons livros infantis. E vale o lembrete: as boas histórias são valiosas tanto nas aulas de português quanto nas de língua estrangeira! Esse livro faz parte da série "Pensamento e Ação no Magistério" da Editora Scipione.

Memórias de uma Gueixa (Memoirs of a Geisha) foi uma das minhas leituras de férias no verão de 2009. Como adoro ler romances que mostram uma cultura diferente, devorei as quase 500 páginas deste livro, apesar do tom melodramático e cheio de sofrimento na vida da protagonista (Chyio/Sayuri). O enredo lembra, de certo modo, um conto de fadas tradicional, com direito a megeras, fada madrinha, príncipe e final feliz. A diferença é que este trabalho ficcional foi baseado em muita pesquisa por parte do autor, Arthur Golden, e de fato retrata o rígido treinamento de meninas japonesas que eram separadas da família muito cedo e obrigadas a viver em okiyas (casas de gueixas), onde eram tratadas como mera mercadoria. A história se passa entre os anos de 1930, quando Chyio tem nove anos, e se estende até os anos 90, aproximadamente, passando pela depressão econômica causada pela 2a guerra mundial. Depois de ler o livro, fiquei curiosa para saber se as gueixas ainda existem no Japão, ou se são apenas figuras folclóricas para turista ver. Achei a resposta na página http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080428164240AAOindY, que também vale a pena ler.
A Menina que Roubava Livros (The Book Thief) é, como todo o best seller, um livro polêmico. Isso até por um certo preconceito: se um livro vende muito é porque foi escrito para as massas e, portanto, deve ser uma literatura pasteurizada e pouco profunda. Não acho que seja o caso dessa obra, que eu considero um dos livros mais singulares que eu já li. A começar pelo ponto de vista do narrador, ninguém menos que a morte. Um livro sobre a ascenção nazista na Alemanha dificilmente renderia nas mãos de outra pessoa, que não o autor Markus Zusak, uma narrativa tão cativante e bonita, apesar de triste. As frases em alemão inseridas nos diálogos dos personagens nos permitem "entrar no clima" da história e vivenciar, com mais intensidade ainda, os dramas da protagonista Liesel Meminger. Há quem reclame da tradução de Vera Ribeiro, mas até isto eu elogio, porque não deve ter sido fácil traduzir as improváveis combinações de palavras que Zusak criou, onde sons tem gosto e sentimentos tem cores. Uma ótima opção de leitura para quem gosta de história, da língua alemã, e sobretudo de literatura. Na minha opinião, quase 500 páginas de puro prazer. Uma publicação da Editora Intrínseca.
The Mixed Ability Class aborda, de forma prática e acessível, um dos problemas mais comuns entre professores de inglês em escolas de ensino fundamental e médio: as turmas onde o nível de proficiência pode variar entre alunos que sabem muito pouco e alunos praticamente fluentes na língua. Além de sugerir inúmeras maneiras de contornar essa situação em sala de aula, o livro trás ainda um apêndice com 17 atividades fotocopiáveis. A obra de 96 páginas foi escrita por Julie Tice e publicada pela Richmond Publishing como parte da série Richmond Handbooks for Teachers.
Motivational strategies in the language classroom trata o assunto da motivação não como uma ciência exata, mas como um conceito abstrato, vago e hipotético que engloba uma grande quantidade de motivos pelos quais as pessoas demonstram determinados comportamentos. Como esses motivos variam grandemente de indivíduo para indivíduo, o autor Zoltán Dörnyei conclui que "there is no such thing as motivation", ou seja, que motivação, de fato, não existe. Isso, já no início do livro, o que leva o leitor a pensar: "se motivação não existe, de que tipo de estratégia vai se tratar esse livro?" Uma das coisas que o autor traz é uma reconstituição histórica da motivação até chegar na abordagem atual, onde a tendência é perceber o indivíduo como um ator em constante esforço para equilibrar e coordenar uma gama de desejos pessoais e objetivos sob a luz de suas possibilidades pessoais, ou daquilo que percebe como sua competência. A partir daí, o autor propõe algumas estratégias que irão contemplar esses desejos e objetivos, sem cair no simplismo de um livro de receitas. O livro foi publicado pela Cambridge University Press em 2001.
New Proficiency Testbuilder: new tests that teach não é exatamente um livro para ser lido; é, como diz o nome, um livro preparatório que conta com testes especialmente desenvolvidos para quem pretende prestar o CPE (Cambridge Proficiency in English). O livro, escrito por Mark Harrison e publicado pela Macmillan, oferece explicações detalhadas sobre cada uma das etapas do exame, como, por exemplo, exatamente o quê está sendo testado. Também são oferecidas dicas sobre estratégias para melhor responder as questões. O maior mérito do livro é, na minha opinião, o fato de que as respostas são acompanhadas de extensas explicações. Aprende-se, assim, não apenas por que a resposta "c" é a certa, mas também porque a "a", "b", "d" e "e" estão erradas. Outro mérito do livro é demonstrar o quanto nós, professores, ainda temos a aprender. O CPE é um teste dificílimo - e obter o conceito A é uma meta atingida por muito poucos. Para aqueles que impuseram-se esse desafio, esse livro é uma ferramenta utilíssima; mas nada impede que mesmo quem não pretende fazer o CPE o utilize como material de estudo. A formação continuada deve ser uma meta para todos, sobretudo para os professores.
One to One: a Teacher's Handbook, de Peter Wilberg, é o único livro que eu conheço que fala sobre as aulas particulares de inglês. Além de sugerir algumas atividades apropriadas para esse contexto de ensino, Wilberg remete o leitor a uma série de reflexões a respeito do papel do professor, do ambiente da sala de aula, das expectativas do aluno e sobre as interações que se estabelecem a partir desses fatores. Este livro da LTP (Language Teaching Publications) tem 160 páginas.
Open Sesame se propõe a ensinar, através de contos de fadas e histórias infantis, um vocabulário coloquial que ajude os alunos de inglês (nível intermediário para cima) a enfrentar com desenvoltura as situações de dia-a-dia na cultura americana. O livro apresenta, também, algumas estratégias de leitura, mas o mais interessante do livro, a meu ver, é a tentativa de contextualização das histórias aos dias atuais, que pode gerar discussão (e atividades criativas) em aula. Eu gostei, também, de aprender o nome em inglês de histórias como The Frog Prince ( A Princesa e o Sapo), Hansel and Gretel (João e Maria) e Jack and the Beanstalk (João e o Pé de Feijão). No final, uma seção com o nome e uma pequena sinopse de livros indicados para as diferentes faixas etárias. Essa publicação da The University of Michigan Press tem 231 páginas e foi escrito por Planaria J. Price.
A origem curiosa das palavras é um livro aos moldes da Casa da Mãe Joana, voltado à etimologia de algumas palavras e expressões da língua portuguesa. No entanto, possui algumas peculiaridades que o fazem ainda mais interessante. Uma delas é um capítulo em que, em vez de discorrer sobre a origem estrangeira das palavras em português, demonstra de que maneira o português influenciou línguas estrangeiras, como o japonês. Outro diferencial interessante é que a obra traz a etimologia de termos bem recentes na nossa língua, como brega, pagar mico e sarado. O autor, Márcio Bueno, não é linguista: é jornalista e publicitário de profissão e, como eu, "etimófilo" de coração. A obra, uma publicação da José Olympio Editora, tem 259 páginas.
Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa é um dos últimos, senão o último livro escrito por Paulo Freire antes de morrer. No entanto, na minha opinião, é um dos primeiros que deveriam ser lidos por quem se interessa em conhecer mais sobre a importante obra desse eminente educador brasileiro. Esse pequeno livro de apenas 146 páginas publicado pela Editora Paz e Terra contém a essência das idéias de Freire: idéias de autonomia e libertação, mas principalmente de respeito pelo outro, pelas diferentes formas de saber, de aprender e de conhecer. São apenas três capítulos que convidam à reflexão: Não há docência sem discência, Ensinar não é transferir conhecimento e Ensinar é uma especificidade humana. Apesar dessas três afirmações serem praticamente um consenso, Paulo Freire encontrou muita coisa nova, relevante e inspiradora para dizer. Se esse for o primeiro livro de Paulo freire a ser lido por você, professor ou professora, com certeza a porta se abrirá para outros...
Perdas e Ganhos é um livro de Lya Luft que nada tem a ver com educação, muito menos com o ensino de línguas. No entanto, tem muito a ver com uma necessária pausa para reflexão que todos nós -principalmente nós, professores - merecemos e precisamos fazer de tempos em tempos. O livro fala sobre infância, família, profissão, casamento, identidade, maturidade, e perdas que podem, algumas vezes, se reverterem em ganhos. O livro diz que somos bons, importantes e capazes, mas também que muitas vezes somos fúteis, medíocres e covardes e, com medo do preço que precisamos pagar, somos menos felizes do que poderíamos ser. Esse é, pois, um livro especial para se ler nas férias, porque é preciso tempo para digeri-lo e tranquilidade para fazer as necessárias incursões para dentro de nós mesmos, a que nos convida a autora. Perdas e Ganhos é uma publicação da editora Record e tem 156 páginas.
Phrasal Verbs: como falar inglês como um americano! é um livro de Jonathan Hogan e José Roberto Igreja que se diz "definitivo" sobre o assunto dos phrasal verbs, expressões compostas por verbo + preposição, como look up, blow out ou pick up. Eu não acredito em coisas definitivas, especialmente no que diz respeito às línguas, que são mutantes. Mas o livro é realmente bem completo, e traz o significado de 450 phrasal verbs, além de exemplos para cada um dos significados (só em pick up, são 10 acepções diferentes!) O que eu realmente não gostei foi do subtítulo "como falar inglês como um americano". Por várias razões: primeiro, porque o inglês americano e o inglês britânico deixaram, há muito tempo, de ser as principais referências em língua inglesa. Hoje, fala-se muito mais num inglês internacional que transcende fronteiras geográficas. Segundo, porque mesmo que o objetivo de alguém fosse, de fato, falar inglês como um americano, dominar os tais phrasal verbs seria apenas um dos inúmeros desafios desta empreitada. Seria necessário, ainda, aprender a pronúncia e sintaxe padrão do falante nativo, o que não é pouca coisa. Assim, me ficou no ar um cheirinho de propaganda enganosa, mas enfim, nada é perfeito. Phrasal Verbs foi lançado pela Editora Disal e tem 222 páginas.
Pontos e contrapontos: do pensar ao agir em avaliação é um livro em que a autora, Jussara Hoffmann, discorre com clareza e muito conhecimento de causa sobre o delicado e controverso tema da avaliação. 'É nosso compromisso de educadores acompanhar o aluno em sua trajetória, observando-o atentamente, com uma enorme curiosidade sobre o seu pensar e seu agir. E essa é uma ação investigativa que levanta sempre novas questões, novas hipóteses, e portanto não pode ser escrita com pontos finais", diz a autora. Não espere, portanto, encontrar respostas definitivas sobre avaliação nesse livro de 140 páginas editado pela Editora Mediação. O objetivo do livro é fazer refletir.
O prazer das palavras é um livro originou da compilação de vários artigos escritos pelo professor universitário Cláudio Moreno para sua coluna no jornal gaúcho Zero Hora. Mas esse não é apenas mais um livro que se que se debruça sobre a etimologia e a origem curiosa de palavras e expressões da língua portuguesa, uma vez que a obra de Moreno se distingue de outras publicações sob diversos aspectos. As palavras, por exemplo, não são organizadas em verbetes; a algumas é dedicado um capítulo inteiro. Os capítulos, por outro lado, não versam necessariamente sobre palavras: às vezes, ensinam sobre o significado de termos léxicos como oxímoros e palíndromos; outras vezes, criticam a disseminação de falsas etimologias, como o famoso coitado, que não é aquele que sofreu o coito, mas a coita (mal, desgraça e aflição que disso resulta). Outro atrativo da obra de Moreno é o texto inteligente, bem-humorado, cativante. Principalmente para aqueles que, como diz o autor, compartilham o prazer de conhecer as palavras pelo lado do avesso. O livro tem 159 páginas e foi lançado pela RBS publicações.
O prazer das palavras 2: um olhar bem-humorado sobre a língua portuguesa é, como o volume que o antecedeu, uma coletânea das crônicas do professor Cláudio Moreno publicadas na coluna de mesmo nome do jornal gaúcho Zero Hora. Comprei o livro no aeroporto, enquanto esperava para embarcar. Ao chegar ao meu destino, tinha aprendido ou relembrado, por já ter lido alguns dos textos no jornal, muitas coisas sobre a origem das palavras no português e também em outros idiomas. Eu não tinha nem idéia, por exemplo, que a já pouco usada ecpressão "cecê", que quando criança eu usava para me referir ao cheiro de suor de alguém, vem de uma antiga propaganda de sabonete importado, onde a expressão original "body odor" foi traduzida para o português como "cheiro do corpo", cujas iniciais eram CC. Mas o livro vai além da origem de termos e palavras: dedica muitas páginas à discussão do que é certo e do que é errado na língua portuguesa, lembrando sempre ao leitor que cada língua é uma máquina de fazer palavras, e que vocábulos novos, como "normatizar", devem ser aceitos com "tolerância e curiosidade" apesar do nariz torcido dos defensores do nosso idioma materno. Por outro lado, quando uma professora pergunta se é aconselhável corrigir, numa redação, formas aceitas na línguagem oral, como "Tá bom", Cláudio Moreno é enfático ao dizer que sim. Aliás, o último capítulo é todinho dedicado a polêmicas como essa. O Prazer das Palavras 2 é uma publicação da L&PM e tem, na sua edição "pocket", 230 páginas.
Psicologia e Educação: o significado do aprender é um livro útil a todas as pessoas interessadas no processo de aprendizagem, sejam elas estudantes nas licenciaturas ou professores que já têm experiência docente. O livro aborda conceitos, características e fatores da aprendizagem, além de seis abordagens teóricas que vão de Pavlov a Carl Rogers. A obra, organizada pelo professor da PUCRS e da UFRGS Jorge La Rosa, contém ainda um capítulo sobre motivação e aponta estratégias para desencadeá-la. Apesar de escrito por diversos autores, todos professores universitários, a linguagem é coesa e acessível. Psicologia e Educação é publicado pela Edipucrs e tem 230 páginas.
Psycholinguistics, um dos livros integrantes da série Oxford Introductions to Language Study, procura mostrar que falar e compreender uma língua é um processo altamente complexo, quase miraculoso. O autor, Thomas Scovel, descreve a psicolingüística como uma "janela para a mente", ou seja, o estudo capaz de nos dar um pouco mais de entendimento sobre como o cérebro funciona ao produzir e compreender a linguagem. As 135 páginas do livro são recheadas de informações interessantes e úteis a curiosos em geral e professores de línguas em particular. A obra, que obviamente é uma publicação da Oxford University Press, conta ainda com um glossário de termos úteis relativos a essa área de conhecimento.
Reencantar a Educação: Rumo à Sociedade Aprendente tenta responder, junto com o leitor, à pergunta: o que significa, hoje, aprender? Para ajudá-lo a refletir sobre essa questão, o autor, Hugo Assmann, aborda temas como as novas tecnologias de comunicação e informação, as pesquisas sobre o cérebro humano, as transformações da educação e da vida cotidiana, a necessidade de aprender-se por toda a vida e o papel da solidariedade na nova educação. O livro traz ainda um glossário de termos relativos ao aprender na era das redes. Essa publicação de 251 páginas é da Editora Vozes.
Reflecting on teaching English and student's motivation é um daqueles livros que combinam teoria e prática de maneira harmônica e didática. Numa linguagem acessível, mas sempre embasada em autores respeitados na área de psicolingüística e teoria da linguagem, a autora Justina Inês Lied pretende demonstrar que a motivação dos alunos para aprender uma língua estrangeira está relacionada, entre outros fatores, às alterações na estrutura do discurso usado pelo professor. Recheado de atividades que utilizou no estudo com os próprios alunos, o livro tem 93 páginas e é uma publicação independente da profa. Justina. Exemplares podem ser adquiridos com a própria autora, ao preço de 10 reais, através do e-mail jfaccini@fates.tche.br
O resgate do professor como sujeito de transformação é um livro bastante lúcido de Celso dos Santos Vasconcellos que aborda a questão do mal-estar docente, ou seja, do desgaste do papel e da função de professor na sociedade e os sentimentos que isso acarreta. Além de analisar as causas do sentimento de desvalorização que se tornou quase generalizado entre os educadores, Vasconcellos aponta também para algumas possíveis soluções para o resgate do professor. Tudo isso sem deixar de apontar um dedinho para os próprios professores, que devem encontrar em si mesmos as contradições que os impedem de abraçar um modelo educacional mais compatível com o momento em que estamos vivendo. A obra é publicada pela editora Libertad.
The resourceful English teacher: a complete teaching companion é um livro que sugere atividades em 15 tópicos diferentes: newspapers, articles, songs, readers, icebreakers, dialogues, fillers, circles, questionnaires, the word box, dictionaries, OHP, computers, TV and video, and the radio. Como dá para ver, as atividades são bem variadas; o layout também é diferenciado, e fica fácil de ver para que nível elas são mais adequadas, além dos materiais que exigem, se for o caso. Como em qualquer outro livro escrito para uma cultura diferente da nossa, algumas atividades terão de ser adaptadas, outras descartadas. Mas eu experimentei várias das idéias apresentadas, e elas realmente funcionaram. O livro foi escrito por Jonathan Chandler e Mark Stone, tem 96 páginas e foi publicado pela Delta Publishing (a minha cópia é de 1999.)
Saber pensar é o que queremos que os nossos alunos aprendam, e é o que Pedro Demo tenta nos ensinar a buscar nesse livro da Cortez Editora (uma referência, aliás, de boas publicações na área de educação.) A primeira parte da obra se dedica aos componentes do saber pensar (lógica, argumentação, e saber aprender, cuidar, inovar e acreditar). Na segunda parte, ele discorre sobre estratégias fundamentais para construir/reconstruir o conhecimento, tendo por objetivo a construção da autonomia e da cidadania. O livro tem 159 páginas de muita reflexão.
Ser professor é uma coletânea de artigos escritos pelo corpo docente do programa de Mestrado em Educação da PUC-RS e aborda a questão da identidade do professor nos dias de hoje, ou seja, como somos, como nos vemos e como gostaríamos de ser vistos. O livro aborda desde as competências necessárias para ser professor, até a questão do despertar da espiritualidade no profissional docente. A obra, cuja organizadora é a Dra. Délcia Enricone, tem 141 páginas e foi publicada pela Edipucrs.
Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro é um livro para ser lido por aqueles que, além de professores de língua estrangeira, consideram-se também educadores. Esse livro é uma "encomenda" da UNESCO a Edgar Morin (lê-se Morran) para que aprofundasse a questão transdiciplinar da educação. A leitura desse livro, que é uma publicação da Cortez Editora e tem 116 páginas, dará subsídios a um melhor entendimento da nova LDB.
Singing, Chanting, Telling Tales está, certamente, entre as melhores aquisições que eu fiz na TESOL Convention. Escrito pela ótima Carolyn Graham, autora de "Jazzchants", o livro traz sugestões práticas sobre como utilizar a música e a poesia de forma dinâmica e divertida nas aulas de Língua Inglesa. Ensina, também, como compor e usar os seus famosos "chants" em sala de aula. O livro é uma publicação da Delta Systems Co.,Inc e tem 75 páginas
Sound Foundations é um livro que não pode faltar na biblioteca dos professores de inglês, sobretudo daqueles que vieram de outras áreas profissionais e não tiveram formação específica em letras. De maneira acessível e com sugestões bem práticas, Adrian Underhill, o autor, dá informações relevantes e interessantes sobre fonologia (símbolos fonéticos, sílabas tônicas, elisão, etc). O livro é uma publicação da Macmillan Heinemann e tem 210 páginas.
Teacher man é um romance escrito por um autor praticamente desconhecido no Brasil, Frank McCourt, mas que ganhou um prêmio Pulizer pela obra Anglea's Ashes em 1997. Esse terceiro romance de McCourt trata da sua experiência de 30 anos como professor nas escolas públicas de Nova York. Às vezes hilária e outras vezes profunda, essa narrativa com certeza há de soar familiar para professores de outros tantos países, como o Brasil, que lidam diariamente com problemas como o desinteresse dos alunos, a interferência às vezes negativa dos pais, a incompetência de alguns coordenadores e a vontade de fazer uma diferença na vida dos alunos. Foram 258 páginas de uma letra bem miudinha, mas que eu li com muito prazer. Uma sugestão de leitura para as férias, infelizmente só disponível (que eu saiba) pela livraria online Amazon.com. Teacher Man é uma publicação da editora Harper Perennial.
Teaching Teenagers foi publicado pela primeira vez em 1993, mas nem por isso é um livro ultrapassado. O conceito de aprendizagem proposto pelos autores, Herbert Puchta e Michael Schratz, é o "cooperative independence in learning", que poderia ser traduzido como "independência cooperativa na aprendizagem". Isso significa, simplesmente, que para aprender um idioma de maneira eficaz, é preciso desenvolver nos alunos adolescentes habilidades sociais que permitam a eles compartilhem suas opiniões, seus sentimentos e suas experiências com os colegas, desenvolvendo um sentimento de empatia com o grupo. Discussão e negociação, assim, tornam-se elementos importantes no processo de aprendizagem, desde que o feedback entre alunos e professor, ou entre os próprios alunos, seja sempre construtivo. O livro não apresenta sugestões isoladas de atividades, mas em vez disso um encadeamento de atividades dentro de um mesmo tema, a serem desenvolvidas em várias aulas. Por isso o subtítulo do livro:"Model activity sequences for humanistic language learning." Algumas das sugestões apresentadas parecem, a princípio, incompatíveis com a realidade dos alunos brasileiros de inglês nas escolas regulares, mas várias atividades podem ser adaptadas a alunos menos proficientes. Como o livro foi escrito por Herbert Puchta, eu comprei de olhos fechados, pois sou fã de carteirinha dele. E nem de longe eu me decepcionei. São 135 páginas de informação e reflexão, publicadas pela Longman.
Teaching with the brain in mind é um livro só possível de ser adquirido, no Brasil, via internet (o meu exemplar, por exemplo, foi comprado da livraria virtual Amazon.com). Mas é um investimento justificado pela riqueza de informações que traz. Escrito pelo neuro-cientista Eric Jensen, o livro aborda com uma linguagem bem acessível o funcionamento do cérebro humano e os fatores que influenciam positiva ou negativamente a aprendizagem. E vai além: sugere estratégias para contornar problemas bem comuns em sala de aula, como a dificuldade de concentração por parte dos alunos e falta de motivação, entre outros. O livro é editado pela ASCD e tem 133 páginas.
Tirando dúvidas de inglês, de Michael Jacobs, é uma compilação dos e-mails que esse professor londrino - que mora no Brasil desde 1967 - recebeu e respondeu desde a publicação dos dois volumes da sua obra anterior, Como (não) aprender inglês. Para facilitar a vida do leitor (e do próprio Jacobs), o livro foi dividido em seções: Gramática e Contrações, Pronúncia, Sintaxe e expressões, Vocabulário e Orientação (sendo esse último capítulo subdividido em outros quatro: Listening Comprehension, melhorando o vocabulário, Fluently fluent e traduções mentais). Ou seja: um livro diversificado em conteúdo, que é apresentado da forma descontraída que sempre foi a marca registrada (e o mel) de Jacobs. Ter o livro é mais ou menos como ter por perto um falante nativo para tirar dúvidas e aprender com ele o que nem sempre se consegue achar em gramáticas e dicionários, nem que seja que não há regra para tudo e que para algumas perguntas simplesmnete não há resposta. A mensagem do livro é que regras demais atrapalham mais do que ajudam. Essa é uma publicação da Disal Editora e tem 183 páginas.
The Translator é um livro que eu precisei intercalar com outras leituras mais leves, porque descreve as atrocidades cometidas contra o povo de Darfur, no Sudão. A história, contada nos seus detalhes mais macabros, foi escrita por Daoud Hari, o tal tradutor que dá o título à obra. Depois de ter seu vilarejo atacado e destruído, causando a morte de amigos e familiares, Daoud se oferece para trabalhar como intérprete e guia de repórteres e de funcionários de organizações humanitárias. Em vez de pegar em armas, como fizeram tantos de seus conterrâneos, ele utilizou seus conhecimentos de inglês, árabe e Zaghawa (sua língua nativa) para defender Darfur, contribuindo para que o genocídio de seu povo fosse conhecido pelo resto do mundo. O livro traz dois apêndices: no primeiro, há uma explicação sobre a situação política de Darfur, que dá maiores subsídios para que se entenda o conflito descrito pelo autor, e o segundo traz uma transcrição da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que consegue ter praticamente todos os seus artigos ignorados pelas milícias que ainda matam, torturam e saqueiam no Sudão. Essa publicação da editora Random House Trade Paperbacks tem 209 páginas.
Um Rio que vem da Grécia reúne crônicas de Cláudio Moreno que têm como fio condutor histórias da mitologia grega. Apesar de nunca ter sido muito fã dos deuses do Olimpo, me deliciei com cada um dos (breves) capítulos do livro, nos quais Moreno apresenta uma faceta da cultura grega. Pela primeira vez, consegui perceber, com a ajuda do autor, significados muito atuais e humanos para as tramas fantásticas protagonizadas por divindades de todos os tipos. Como diz Lya Luft, na apresentação do livro, "ele nos coloca num mundo que não passou e nem vai acabar, porque tem algo de universal e mais que isso: atemporal." O livro é particularmente interessante para quem, como eu, gosta de etimologia, assunto do qual o professor e Doutor em Letras Cláudio Moreno também é grande conhecedor. O Rio que Vem da Grécia tem 110 páginas e foi lançado pela L&PM editora em 2004.
Uma professora muito maluqinha é um livro que, de forma semelhante a filmes como Shrek ou Os Incríveis, pode ser compreendido em dois níveis de entendimento. Lido pelas crianças, narra a história de um menino que aprendeu com sua professora a gostar de ler e a achar a sala de aula um lugar muito divertido. Lido por um adulto que também é professor, é um lembrete do quanto somos responsáveis por um aluno gostar ou detestar a matéria que ensinamos. Não sei o quanto da Profesora Maluquinha realmente existiu, e o quanto foi inventada pelo seu criador, o escritor e cartunista Ziraldo. Mas sei que Professoras e Professores Maluquinhos de fato existem por aí, determinados a ensinar o que é de fato útil, a valorizar os talentos dos alunos e a cativar seus pequenos estudantes para a matéria que lecionam. Sei também que igualmente existem os administradores de escola e professores que não querem saber de maluquices em sala de aula e que fazem de tudo para "boicotar" os maluquinhos de plantão. Por isso é que, quando li o livro, muitas das atitudes ali descritas me pareceram familiares. E se de fato a professora do Ziraldo fez metade do que está no livro, não me admiro que o seu aluno mais famoso tenha hoje tanto talento. Uma Professora Muito Maluquinha é editada pela Melhoramentos e tem 119 páginas muito gostosas de ler.
Use of English: grammar practice activities for intermediate and upper-intermediate students apresenta uma série de atividades comunicativas orais ou escritas cujo intuito é sair um pouco dos "drills" (exercícios de repetição) e praticar estruturas gramaticais de uma forma mais criativa, livre e lúdica. No fim do livro, o autor, Leo Jones, apresenta uma pequena nota de explicação sobre cada um dos 40 tópicos gramaticais abordados, o que serve de referência para os alunos que possam ter dúvidas ao realizarem as atividades propostas. O livro tem 120 páginas e é publicado pela Cambridge University Press.
Vocabulando: vocabulário prático Inglês-português é uma mão na roda para tradutores que se deparam com palavrinhas difíceis de verter para o português, como far-fetched (mirabolante) ou empowerment (=poder de decisão), ou seja, palavras que uma pessoa proficiente no idioma entende sem problemas, mas tem dificuldade em traduzir. Uma das especialidades do dicionário são as palavras e expressões que parecem significar uma coisa mas na verdade querem dizer outra bem diferente, como comprehensive ou oblige. O livro é muito mais do que um dicionário, pois fica evidente o esforço da autora, a excelente Isa Mara Lando, em compartilhar com seus leitores a sua extensíssima experiência em tradução. E faz isso através de dicas, advertências e conselhos, normalmente sinalizados ao longo do livro em caixas de texto. E por falar em Isa Mara Lando, se você tiver a oportunidade de assistir a uma palestra dela, não perca! Além de extremamente competente no que faz, ela é culta, interessante, e uma excelente contadora de histórias engraçadas sobre tradução. Vocabulando tem 567 páginas e é uma publicação da Editora Disal.
What Língua is esta? é um título bastante apropriado para o livro instigante, contestador e crítico do jornalista e escritor Sérgio Rodrigues, cujo trabalho eu (infelizmente) não conhecia anteriormente. O que eu gostei tanto? Primeiro, da linguagem muito clara, direta e bem-humorada na abordagem de temas que dão origem aos cinco capítulos do livro: estrangeirismos, neologismos, lulismos, fetichismos e outros modismos. Nota-se que o autor é jornalista, e pelo jeito dos bons: trabalhou no Jornal do Brasil, Veja Rio, TV Globo e O Globo. Aliás, as crônicas e artigos publicados no livro foram compiladas de suas colunas na imprensa a partir de 2001. Outra coisa que eu gostei, obviamente, foi o tema: questões de linguagem, mais especificamente da língua portuguesa. Mas, pelo que li, pude perceber que Sérgio Rodrigues conhece bem outras línguas estrangeiras, sobretudo o inglês. E é muitas vezes desse entrelaçamento dos diferentes idiomas que ele tira as suas conclusões sobre o nosso rico e mutante idioma, que ele prefere sem "frescuras". Entre as mencionadas no livro está a de achar que "tem" não pode ser usado com o sentido de "há", e que o certo é "o Iôga" em vez de "a Ióga". Como praticante de Yoga, eu particularmente prefiro o artigo masculino e o ô fechado, mas tudo bem: o livro não dita qualquer regra, ou, conforme as próprias palavras do autor, "não traz verdades prontas e confortáveis para nenhum dos lados". Os comentários (elogiosos) na contracapa e na "orelha" do livro são de Millôr Fernandes e Ivan Lessa. Precisa dizer mais? O livro é da Ediouro e tem 188 páginas.