Escola: muito prazer! Práticas de Ensino de Língua Portuguesa
| Voltar para a página inicial | | Comprar |

Esse livro, segundo os autores, é mais para ser usado do que para ser lido. O seu principal objetivo é oferecer um repertório variado de atividades que possam auxiliar aqueles que trabalham com língua portuguesa a ensinar de forma dinâmica e prazerosa.

O livro é dividido em sete capítulos: Afiando os sentidos, Trabalhando com jornal, Leitura, Produção Textual, Oralidade, Análise Linguística e Literatura. Cada capítulo apresenta um número variado de atividades, sendo 48 no total.

Mas ninguém melhor que os próprios autores para apresentar a sua obra. Com a palavra, então, os autores:

Respondendo a novas necessidades sociais, o ensino brasileiro vem passando por consideráveis mudanças em sua estrutura e em seus paradigmas. Tais mudanças, que podem ser encontradas, por exemplo, nos PCNs, apontam particularmente para o aperfeiçoamento docente e para a prática de novas ações pedagógicas que respondam às necessidades do educando contemporâneo.

Um novo modo de pensar educação colocou em desacomodação as formas de avaliar, estruturar, planejar e acompanhar o desenvolvimento educacional do aluno, formas estas que sabidamente não mais encontram plena sustentação, tampouco eficácia. E o professor? Tendo de lidar com a diversidade de propostas e com as exigências sociais, ele necessita, mais do que nunca, atualizar-se e instrumentalizar-se. No entanto, toda a demanda da profissão pouco viabiliza o encontro de novos caminhos.

É este o sentido que buscamos dar ao nosso livro: o de despertar no professor o desejo de

tornar-se verdadeiramente educador, acender em seus alunos o prazer de construírem seu conhecimento e desenvolver, em si e no aluno, potencialidades, abrindo espaço para o novo, para o lúdico e para o conhecimento compartilhado.

Desse modo, objetivamos repensar o universo da educação e o papel da escola na construção de estratégias sócio-interativas e motivadoras, as quais proporcionem ao aluno uma ação/reflexão consciente e construtiva sobre o seu conhecimento e, consequentemente, sobre a sua realidade, considerando as variantes linguísticas, culturais, seus usos, suas necessidades e suas práticas próprias. O nosso desejo é que o professor, na sua realidade, com seus recursos, construa um ambiente de interesse e interação, permitindo trocas facilitadoras do crescimento individual e coletivo no processo escolar.

Nossas atividades, essencialmente práticas, têm por objetivo favorecer o processo de construção do conhecimento. Nelas propomos situações de criação de hipóteses, de produção e leitura textual, de testagem e fixação de conteúdos, de interação e cooperação interpessoal. Naturalmente, ao colocá-las em prática, vão surgindo trocas de experiências, o que proporciona ao grupo uma dinâmica de co-autoria no processo de repensar o ato de educar/aprender.

Buscamos o inovar e o desejo de “ir além”, a motivação na construção do processo pedagógico, a co-aprendizagem (interação professor/aluno, aluno/aluno, professor/professor), a elaboração de planejamento produtivo/gerativo, a promoção do estreitamento de laços afetivos e o respeito às diferenças, considerando fontes múltiplas. Em síntese, propomos priorizar o conhecimento, e não só os conteúdos, direcionando-o à prática, à moral e à ética, a fim de ressignificar conceitos e contexto.

Além da qualificação das práticas de sala de aula, nossas atividades promovem, ainda, a integração no grupo, desenvolvendo o que Howard Gardner define como inteligência interpessoal. É papel fundamental da escola desenvolver a sociabilidade, proporcionando vivências e dando espaço às relações, à co-responsabilidade, à troca, à alteridade, à inclusão. Não é difícil imaginar como se sente um aluno que percebe no professor um amigo, um interlocutor, um parceiro; alguém que está preocupado com o seu crescimento, que respeita os seus valores, que reconhece os seus potenciais; alguém em quem ele pode se inspirar e que o faça entender o conhecimento como um bem, um benefício, um direito. É, pois, na cooperação, na comunhão de objetivos, no jogo das relações que se vai construindo o sentido de si, do outro, da língua, do todo. O caráter lúdico das atividades viabiliza, de modo indireto mas intenso, a prática da descentração, da interação, do espírito de grupo.

Nosso trabalho surgiu com base nos cursos de práticas de ensino de língua portuguesa, na produção de atividades e na pesquisa, no qual buscamos desenvolver o espírito investigativo-inventivo para o planejamento de projetos e de aulas. Dado seu caráter flexível e lúdico, e pela maneira como foram elaboradas, as estratégias deste livro podem ser adaptadas a diferentes idades e/ou níveis de escolarização. Sua aplicabilidade a situações e ações educativas enriquece transversalmente o trabalho de sala de aula, promovendo uma visão holística do saber. (Lígia Mothes e Antônio Falcetta)