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Autor: Álvaro Alfredo Bragança Júnior alvabrag@ruralrj.com.br em www.filologia.org.br/alvaro No limiar de um novo século podemos nos interrogar acerca da torre bíblica como símbolo de uma globalização não apenas de projetos econômico-sociais, mas, principalmente, de um sistema de comunicação mundial, onde o conhecimento de várias línguas estrangeiras (L.E.) é indispensável para a própria sobrevivência do indivíduo. Desde os tempos mais antigos, citemos, por exemplo, a Antigüidade Clássica, os pedagogos e propedeutas gregos e romanos nortearam o ensino de seus jovens pupilos através do raciocínio lógico-filosófico. Na época medieval, as artes liberales, com as ciências de cunho eminentemente mais humanista do que hoje em dia, formavam o homem, essência básica do humanismo renascentista. A criança do século XVIII, imbuída do espírito das luzes do Iluminismo passa da razão prática, desenraizada das mãos dos jesuítas, para a razão emotiva dos românticos. Paulatinamente, as leituras em línguas estrangeiras ganham cada vez mais importância, na medida em que a Revolução Industrial aproxima os homens com vistas aos negócios! Enfim, desde o século XIX, assistimos a diversas abordagens de ensino de idiomas, que privilegiaram determinados enfoques na relação da criança com a aprendizagem das línguas babélicas: do estudo eminentemente gramatical até os anos 40 de nosso século, quando os métodos áudio-visuais ganharam impulso, passando pelas estratégias behaviouristas e de estímulo-resposta, valorizando nos anos oitenta os procedimentos comunicativos e chegando aos pressupostos vigotskianos do construtivismo, temos os alunos de línguas estrangeiras como público-alvo e cobaias desses experimentos didáticos, cujo objetivo primordial é otimizar, se possível, as quatro habilidades básicas no domínio de uma L.E. : escrever, falar, ler e ouvir. Atualmente, por razões que todos nós conhecemos, o inglês tomou o lugar do latim e do francês como língua de "cultura" de comunicação universal, porém, paralelamente a tal fato, o estudo de outras L.E. tornou-se imprescindível para uma possibilidade mais segura de sucesso profissional: quem sabe uma L.E. tem acesso a outras culturas e daí se estabelece o diálogo! Pensemos, pois, no caso do aluno brasileiro, da língua espanhola, devido a importância do MERCOSUL, sem falar no japonês e no alemão, língua de cultura, cujos eixos de atuação prendem-se às ciências exatas, à filosofia, à música, dentre outras áreas do saber. A criança de hoje - entendamos aqui aquela representante das classes média e alta - tem à sua disposição um cabedal de possibilidades de formação lingüística, onde o computador surge como um ícone. Cabe a ela, aos pais e aos professores a tarefa de desenvolver harmonicamente seus próprios potenciais, para que, no final de contas, o mito de Babel não se transforme apenas em serviçal de políticas econômicas, mas prime essencialmente pela (trans)formação da criança em homo, preservando aquilo que é evidentemente humano e, graças a Deus, nos diferencia das meras máquinas! (Artigo publicado originalmente no portal Edukbr (www.edukbr.com.br) e reproduzido com a autorização do autor.)
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