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Texto enviado por Carlos Pinheiro O Brasil é um país de proporções continentais formado por etnias oriundas dos mais diversos lugares: escravos africanos, colonizadores portugueses, imigrantes italianos, alemães, armênios e os índios nativos. Com o tempo, apesar dos medos, dos preconceitos e das diferenças, todos esses povos acabaram por se misturar dentro deste gigantesco caldeirão cultural. Contudo, cada povo não trazia consigo apenas a sua cultura (ou já a tinha aqui, como no caso dos índios), mas trazia também sua língua. Considerando as proporções de nosso país, é um milagre e um sucesso retumbante da colonização portuguesa que falemos uma única língua, a língua de Camões e de Cabral. Por um milagre, nasceu aqui uma nova espécie de flor do Lácio. Porém, se por um lado é um milagre que todos nós falemos a mesma língua, por outro é uma pena que falemos APENAS a nossa língua; que tenhamos deixado de lado não apenas a língua, mas a cultura de nossos antepassados, língua e cultura essas que participaram na formação daquilo que chamamos de brasilidade. Por ser um país de proporções continentais, obviamente temos nossas próprias diferenças culturais internas, uma vez que alguns estados receberam mais imigrantes de determinadas regiões do que outras. Santa Catarina, por exemplo, é marcada pela forte imigração alemã. Haveria forma melhor para o Catarinense de honrar suas origens de que fazer um Curso de Alemão em Florianópolis? Com certeza, essa seria uma homenagem mais nobre do que copiar a arquitetura e cantar as canções tradicionais sem saber o que dizem. Outras regiões, por outro lado, receberam imigrantes de tantos lugares que acabaram se tornando verdadeiras "cosmopóles". Nenhuma cidade brasileira se enquadra tão bem nessa definição como a vibrante São Paulo, que acabou por tornar-se tão cosmopolita quanto Londres. Nesse caso, não caberia um retorno às raízes, mas sim um mergulho no próprio cosmopolitismo paulistano-londrino, através, por exemplo, de um Curso de Inglês em São Paulo. Ser nacionalista não significa ignorar outras línguas ou culturas, assim como amar outras "flores" não implica em deixar de amar a flor do Lácio. Pelo contrário: significa amá-la ainda mais por comparação. Nota da webmaster: reproduzindo aqui a explicação no. 227 da seção de curiosidades linguísticas, a expressão "A última flor do Lácio", que designa a nossa língua materna, vem do soneto Língua Portuguesa, de Olavo Bilac, cujos dois primeiros versos dizem "Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura." O Lácio, a que Bilac se referia, era uma região pobre da Itália antiga às margens do rio Tibre, onde se falava o latim. Dessa árvore (o latim), muitas flores brotaram (espanhol, italiano, francês e o romeno, entre outras ) sendo a última o português. Há quem diga que o adjetivo "última", usado por Bilac, não tem conotação temporal, mas qualitativa (por ser o português uma das línguas latinas menos estudadas) ou locativa: por se situar no extremo oeste da Europa, Portugal teria sido o último lugar onde os generais romanos (e o Latim) chegaram.
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