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Texto de autoria de Alexandre Júlio Catarino, Professor de Língua Francesa formado pela UEM - Maringá - PR. (exactus@irapida.com.br) Há um bom tempo, as viagens para o exterior deixaram de ser exclusividade da classe economicamente favorecida, já que um número considerável de trabalhadores deixa o país em busca de novos horizontes. Com a emigração de brasileiros para outros países de língua não portuguesa, é cada vez maior o número de pessoas que buscam nas escolas de língua se não a aprendizagem, um panorama da língua falada no país de destino. Chegam então às escolas de língua estrangeira alunos que, exceto pelas músicas ou pelo cinema, jamais entraram em contato com a língua objetivo. Isso ocorre tanto com o inglês quanto com outras línguas, como o francês, alemão e outras. Além do desconhecimento da língua estrangeira, este novo aluno provém, muitas vezes, da classe economicamente desfavorecida e teve um ensino básico insuficiente. Nesta situação, nós, professores, somos tentados a repetir o velho cliché quando nos frustramos ao vermos a dificuldade de nossos alunos: "Não aprendeu nem mesmo o português, como aprenderá uma língua estrangeira?". Esquecemos, nesse momento, alguns dos princípios básicos da linguagem, como por exemplo, a capacidade inata de comunicação. Isto é, ninguém aprende regras de concordância verbal, nominal ou quaisquer regras gramaticais, antes de sentar-se nos bancos escolares. Mesmo assim, ao entrar na escola, a criança se comunica perfeitamente, ainda que desconhecendo o que é um artigo definido, indefinido ou uma preposição. Pensando desta forma, cabe questionar se é realmente necessário o ensino das infinitas regras gramaticais de uma língua, para que um aluno possa se comunicar em língua estrangeira. Qual o papel do ensino das regras gramaticais, tais como colocação pronominal, regência verbal, entre outras, se mesmo nós, professores, cometemos erros em português? Cabe então ao professor de língua estrangeira refletir sobre este novo aluno e dirigir sua aula para situações reais de comunicação, fazendo com que o aluno (re)crie sua própria capacidade de expressão e compreensão na nova língua. Esta nova situação pode nos parecer teoricamente simples, porém precisamos dedicar uma atenção especial à nossa prática pedagógica cotidiana, para não incorrermos no erro da exclusão.
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